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De Sangue e Cinzas - Jennifer L. Armentrout

Título Original: From Blood and Ash
Autor (a): Jennifer L. Armentrout
Data de Publicação: 2021
Número de Páginas: 672
Editora: Galera Record
Classificação: 




Uma donzela.

Escolhida desde o nascimento até a inauguração de uma nova era, a vida de Poppy nunca foi dela. A vida de donzela é solitária. Nunca sendo tocada. Nunca sendo vista. Nunca falando. Nunca experimentando prazer. Esperando o dia de sua ascensão, ela preferia estar com os guardas, combatendo o mal que tomou sua família, do que se preparando para ser considerada digna pelos deuses. Mas a escolha nunca foi dela.

Um dever

O futuro do reino inteiro repousa sobre os ombros de Poppy, algo que ela nem tem certeza de que quer para si mesma. Porque uma donzela tem um coração. E uma alma. E saudade. E quando Hawke, um honrado guarda de olhos dourados destinado a garantir sua Ascensão, entra em sua vida, destino e dever ficam emaranhados de desejo e necessidade. Ele incita a raiva dela, faz com que ela questione tudo em que acredita e a tenta com o proibido.

Um reino

Abandonado pelos deuses e temido pelos mortais, um reino caído está surgindo mais uma vez, determinado a recuperar o que eles acreditam ser deles através da violência e da vingança. E à medida que a sombra daqueles amaldiçoados se aproxima, a linha entre o que é proibido e o que é certo fica obscurecida. Poppy não está apenas prestes a perder o coração e ser considerada indigna pelos deuses, mas também a sua vida quando todos os fios encharcados de sangue que mantêm seu mundo unido começam a se desfazer.

Passei mais de 60% da leitura pensando: por que eu não larguei esse livro ainda? E depois passei os últimos 30% pensando: era isso que eu esperava desde o começo.

Provavelmente a culpa é da expectativa. A minha estava nas alturas. Entretanto é engraçado pensar que eu nem sabia a sinopse do livro quando decidi ler. Eu não sabia nadica de nada, mas a minha cabeça bateu o martelo que seria algo no estilo Corte de Rosas e Espinhos. E foi. Foi tanto que todos os plots do livro eu descobri nos primeiros 20%, afinal eu sou formada na escola Sarah J. Maas de Vilões que não são tão Vilões assim.

E por que eu não larguei? Porque a escrita da Jennifer é muito boa, não com relação ao enredo criado - esse estava devagar quase parando -, mas com relação a forma como ela conseguiu me convencer que aquela história morna ia dar em algum lugar interessante. E deu. Muuuuuuito interessante. Tão interessante que já estou agoniada pelo segundo livro.

Enquanto tentava me manter firme na leitura, desabafei com minha prima, que já havia lido o livro, todas as minhas frustrações por não estar entendendo nada - uma confusão de donzela, ascendido, voraz, atlante, guerra, ascensão -, minha cabeça estava um nó e autora não estava fazendo muita coisa para isso melhorar. Então ela me disse algo interessante e que também me ajudou a não abandonar o livro: "Caline, você não sabe porque a Poppy também não sabe. Você como leitora está na mesma posição que ela: confusa, no escuro e sendo enganada". Sinceramente eu não sei se a ideia da autora era essa, mas fez total sentido pra mim e por mais que eu estivesse frustrada, me agarrei a esse pensamento e segui lendo.

A Poppy como protagonista foi uma tentativa quase frustrada de mocinha forte, determinada e que sabe se defender de tudo. O "quase" é porque, no começo, para alguém tão treinada ela baixou a guarda rapidinho quando se viu sozinha com o Hawke (dei um crédito porque a coitada era carente e ele bem gostoso). Algumas páginas depois ela conseguiu se recuperar um pouco, mas já não me convenceu tanto.

O Hawke foi muito transparente para mim. Acho que não era intenção da autora que todos os meus chutes fossem certeiros logo no começo, mas certamente experiências anteriores ajudaram nisso. Ele era o típico protagonista "moreno, alto, bonito e sensual", só que estava longe de ser a solução para os problemas da Poppy. A intenção dele com ela e o que acabou acontecendo foram coisas um pouco diferentes.

Falando sobre os dois como casal, eu esperava mais. Cadê a química????? Eu sei que estava lá, mas nessa hora a escrita da autora não funcionou. As primeiras interações são quentes, na teoria. Na prática eu lia as cenas e não sentia nada. As provocações entre eles no decorrer da leitura também não despertaram o menor interesse em mim. Mas daí, faltando uns 20% para a história acabar a autora acertou o tom. De tudo. Do romance, das intrigas, das cenas de ação. E eu não conseguia mais largar o livro.

As páginas finais foram interessantes e conseguiram compensar um pouco o que faltou na maior parte da história. Estou muito curiosa pelo próximo livro porque a revelação que Hawke fez muda o rumo das coisas, pelo menos em tese. Quero ver a reação da Poppy e muito mais da interação entre eles. Vamos ver se essa química melhorou para valer.

Acho que o segundo livro promete bastante, é só a Jennifer manter as coisas no mesmo ritmo do final do primeiro livro que as chances da história que está por vir ser muito boa são grandes.

Gente Ansiosa - Fredrik Backman

Título Original: Anxious People
Autor (a): Fredrik Backman
Data de Publicação: 2021
Número de Páginas: 340
Editora: Rocco
Classificação: 



A busca por um apartamento não costuma ser uma situação de vida ou morte, mas uma visita imobiliária toma tais dimensões quando um fracassado assaltante de banco invade o apartamento e faz de reféns um grupo de desconhecidos.
O grupo inclui um casal recém-aposentado que procura sem parar, casas para reformar, evitando a verdade dolorosa de que não é possível reformar o casamento. Há um diretor de banco rico, ocupado demais para se preocupar com outras pessoas, e um casal que, prestes a ter o primeiro filho, não concorda sobre nada. Acrescenta-se uma mulher de 87 anos que já viveu demais para temer uma ameaça à mão armada, um corretor imobiliário assustado, mas ainda disposto a vender, e um homem misterioso que se trancou no único banheiro do apartamento, e assim completamos o pior grupo de reféns do mundo.
Cada personagem carrega uma vida de reclamações, mágoas, segredos e paixões prestes a transbordar. Ninguém é exatamente o que parece. E todos — inclusive o ladrão — estão desesperados por algum tipo de resgate. Conforme as autoridades e a imprensa cercam o prédio, os aliados relutantes revelam verdades surpreendentes e desencadeiam eventos tão inusitados que nem eles próprios são capazes de explicar.

Esse livro é uma das sensações do momento por aqui. Na verdade é uma sensação desde que foi lançado lá fora. Já li um outro livro do autor e amei, então qual era a chance de ler esse, que é um sucesso, e não gostar tanto?? Grande. Surpreendentemente grande.

Eu me pergunto se o problema foi a expectativa. Da história eu sabia pouco, quase nada. Um assalto que deu errado. Era isso. Ahh, e a capa. A capa me fazia pensar que no meio ia ter um romance.

Estava empolgada com a mente aberta. As primeiras páginas passaram e eu não fui fisgada, mas persisti. Vai que o problema entre nós fosse uma questão de adaptação porque a narrativa era diferente e eu demorei a me acostumar ou porque eram muitos personagens e alguns eram insuportáveis.

Então eu parei a leitura. Pensei em abandonar. Não estava funcionando. A história não me empolgava. Os personagens me irritavam. Mas uma voizinha na minha cabeça ficava repetindo: "Tenta de novo! Vai! Dá mais uma chance". E eu voltei. Na verdade eu recomecei. Como havia lido quase 19% na primeira tentativa, então muito coisa que no começo da leitura era confusa passou a fazer sentido. Recomecei entendendo melhor o começo e pensei: "Agora vai dar certo".

Não deu.

Fui atrás de resenhas positivas. Tentei enxergar o mesmo que as pessoas que gostaram enxergaram. Minha opinião continua a mesma.

É um livro com uma narrativa diferente, não linear e com muitos personagens. A gente demora um pouco a se acostumar, mas depois pega o jeito.

A história é sobre cada um desses personagens que estavam envolvidos direta e indiretamente no assalto. E a cada página vamos conhecendo suas vidas (o antes e o agora), seus dramas e acompanhamos também as relações que vão se desenrolando.

Ao logo da leitura temos alguns pequenos plot twits e depois de 50% temos um grande, um que me deixou completamente desnorteada. Algo do tipo "essa bicicleta - que eu passei o livro todo descrevendo como uma bicicleta, que as pessoas passearam nela e sabiam que era uma bicicleta - é na verdade uma nave espacial". Eu me senti enganada sem motivo. Até voltei algumas páginas para ter certeza que não tinha deixado passar as informações, mas "a bicicleta descrita como bicicleta" estava lá. O autor não deu nenhuma explicação. O maior plot do livro e ele soltou a verdade e seguiu em frente. Não encontrei outras resenhas reclamando desse fato, só achando que foi um grande momento. Eu fiquei incomodada e passei o resto da leitura esperando por respostas.

Outra coisa que me incomodou foi a quantidade enorme de frases filosóficas e parágrafos de autoajuda que o autor colocou no meio da narrativa. No começo até foi interessante e eu marquei algumas coisas, depois se tornou chato.

Sobre os personagens, alguns foram legais, outros se mostraram legais ao logo da narrativa e tiveram aqueles que conseguiram ser insuportáveis do início ao fim. As 'entrevistas' que a polícia tentou realizar com as testemunhas foram enlouquecedoras. Não foi crível que todas aquelas pessoas trataram a polícia de forma grosseira e impertinente e simplesmente não responderam por isso.

Então eu achei tudo ruim?

Não. A história de um determinado casal é muito bacana, a forma como a vida de alguns personagens se conectam também, alguns momentos foram fofos e certas reflexões sobre a natureza humana, o mundo moderno e as ansiedades que ele provoca, o sistema capitalista e a sociedade foram interessantes. Mas só. Não ri, não chorei e não senti profundidade. Do começo ao fim foi apenas uma leitura com o objetivo de cumprir uma meta. Em nenhum momento eu peguei o livro para ler por curiosidade de saber como as coisas se desenrolariam.

Embora eu não tenha gostado tanto quanto esperava, eu sei que muitas pessoas colocarão esse livro em suas estantes de favoritos. Muitas já colocaram. Então se você gosta de livros peculiares, com uma narrativa diferente e que abordam as várias facetas da natureza humana, Gente Ansiosa pode ser para você.

Terra Americana - Jeanine Cummins

Título Original: American Dirt
Autor (a): Jeanine Cummins
Data de Publicação: 2020
Número de Páginas: 416
Editora: Intrínseca
Classificação: 



Em uma agradável vizinhança de Acapulco, um massacre. Uma chacina vitima dezesseis membros de uma mesma família, durante uma festa de quinze anos. Os únicos sobreviventes são Lydia e seu filho Luca, de oito anos. O marido de Lydia, Sebastián, foi o jornalista responsável pelo perfil jornalístico do homem que controla o cartel de drogas mais poderoso da cidade. E agora, como a maioria dos seus parentes, ele também está morto.
Repleto de suspense e impactante, Terra americana tem personagens cativantes, cujas histórias fazem refletir sobre o heroísmo e a generosidade das pessoas que arriscam tudo para ter um lugar em que possam viver com dignidade. Escolhido para o clube do livro da Oprah, o romance já teve os direitos de adaptação cinematográfica adquiridos.

Quem me segue no Skoob acompanhou os meus surtos durante a leitura de Terra Americana. Enlouqueci com a história. Não conseguia parar de ler e tinha dificuldade em me concentrar nos estudos porque tudo que eu queria era pegar o meu Kobo e viajar junto com Lydia e Luca pelo México. Pelo menos até a metade do livro.

No início da leitura as minhas expectativas estavam bastante altas e a história que eu encontrei conseguiu manter a minha animação durante muito tempo. O primeiro capítulo do livro te pega jeito e a forma como a autora vai soltando as informações aos poucos te mantém presa. Normalmente isso me irrita, esse "conta-gota" de informações, mas ela soube como fazer de forma que eu não me importei em ter que esperar um pouco mais para saber os detalhes. A história vai fluindo e você não sente as páginas passarem. Cada peça do quebra-cabeça que era encaixada despertava emoções variadas em mim.

A fuga de Lydia e Luca depois de conseguirem se livrar de uma chacina ordenada por um cartel em Acapulco (eu só conseguia pensar no Chaves) é de tirar o fôlego. Em uma determinada cena a tensão que os dois vivenciaram foi tão intensa que eu fiquei com coração acelerado e precisei parar ao final do capítulo para conseguir recuperar o fôlego e retomar a leitura. Foi uma das emoções fisicamente mais intensas que eu já vivi durante uma leitura. Estou acostumada a cenas que me fazem sentir tristeza, chorar, mas sentir medo e aflição como se fosse comigo foi a primeira vez.

Tudo estava indo bem até que em um determinado momento senti como se um chave tivesse virado e a história perdesse um pouco o fôlego. Não me entendam mal, o livro não ficou ruim, mas estava faltando algo. Percorrer o México junto com Lydia e Luca e com as pessoas que eles acabaram conhecendo no caminho foi aflitivo porque você não sabia qual a próxima coisa horrível iria acontecer com eles. Foi uma leitura tensa porque você não sabia quem realmente era de confiança ou quem fingia ser para se aproximar deles e fazer algum mal. Entretanto acho que faltou explorar o conflito existente entre ela e Javier.

Javier era chefe do cartel responsável pela chacina e também amigo de Lydia. Quando a autora "soltou essa bomba" eu esperei que em algum momento eles tivessem um embate. A ameaça de que ele queria matar ela e seu filho foi o que a fez fugir de Acapulco e tentar atravessar a fronteira para o EUA. Javier era como uma sombra, mas mesmo sendo tão influente e tão poderoso eu não senti que ele fosse realmente pegá-la. A minha aflição era mais por causa da La Bestia e das pessoas que ela encontrava no caminho que também estavam indo em direção el norte. Acredito que foi essa expectativa não atendida que jogou um balde de água fria na minha leitura. SPOILER (para ver o trecho, selecione a frase a seguir) A autora criou um problema que prometia ser enorme, mas fora o que ele fez no início do livro (que foi extremamente chocante, doloroso e traumatizante) nada mais aconteceu. FIM DO SPOILER

As últimas páginas foram bem pesadas e tristes. Na verdade, elas não foram muito diferentes do que foi o livro inteiro. É claro que eu não esperava encontrar uma história bonitinha e leve, mas as cenas difíceis nesse livro são muitas e é impossível não se sentir destroçada ao lê-las.
Terra Americana foi muito mais do que eu esperava no começo, perdeu um pouco da minha atenção no meio e entregou um final ok. Foi decepcionante ver uma história que parecia tão incrível perder um pouco do seu brilho e não entregar todo o seu potencial.

P.S: Pesquisando sobre Terra Americana na internet descobri que na época do seu lançamento ele se envolveu em várias polêmicas sendo chamado de estereotipado e apropriador. Os leitores criticaram a autora por ser branca e escrever um livro sobre a história de uma mulher mexicana "roubando" seu lugar de fala.

Teto para Dois - Beth O'Leary

Título Original: The Flatshare
Autor (a): Beth O'Leary
Data de Publicação: 2019
Número de Páginas: 400
Editora: Intrínseca
Classificação: 











Teto para Dois é o tipo de livro que você vê a capa e se for uma grande fã de livros de romance vai pensar na mesma hora "eu preciso ler essa história". Ela traz as seguintes frases: 

Tiffy e Leon dividem a mesma cama.
Tiffy e Leon nunca se encontraram.

Tem como deixar passar algo tão curioso e improvável assim? Não. E foi com bastante expectativa que comecei a leitura desse livro. Admito que antes dei uma olhada no Skoob para ver o que as pessoas estavam falando sobre a história e encontrei diversos comentários positivos o que me deixou ainda mais empolgada e me afastou qualquer dúvida de que eu deveria começar a ler o quanto antes. Inclusive minha leitura do momento não estava rendendo, logo foi a desculpa perfeita para começar Teto para dois.

O início não rendeu muito. Não sei explicar exatamente o porquê, mas eu não consegui me prender a história. Inclusive passei um tempo com o livro meio esquecido no meu kobo e cogitei abandonar a leitura. Ainda bem que não fiz isso porque pesando os prós e os contras no fim das contas foi uma leitura muito agradável.

Os capítulos são narrados alternando entre Tiffy e Leon. A autora conseguiu ser muito habilidosa ao construir "a voz" dos dois personagens. Os capítulos dela são espirituosos e mostram seus post-its cheios de empolgação, frases longas e muitas descrições. Já os capítulos dele são mais sucintos, com frases mais curtas e seus post-its tem um tom mais prático.

Tiffy é o tipo de personagem que em um chick-lit como da Sophie kinsella, por exemplo, poderia me incomodar. Mas aqui autora conseguiu construí-la de uma forma que conquistou a minha simpatia. A personagem me lembra muito Lou Clark de "Como Eu Era Antes de Você". Talvez tenha sido pela forma excêntrica como as duas se vestem ou pela personalidade leve, romântica, positiva e divertida que elas têm. O fato é que depois da impressão inicial sobre como a Tiffy era fisicamente (tive uma certa dificuldade para construir sua imagem na minha cabeça) sempre que ela aparecia na história era Lou que surgia em minha mente. Só que ruiva 😄.

Quanto ao Leon (a outra parte dessa história tão fofinha) ele é o total oposto da Tiffy. Tímido, centrado, sério e bem básico, antes de conquistar o meu coração e me deixar suspirando pelo seu jeito carinhoso, Leon começou a história me decepcionando bastante. Acredito que esse tenha sido o único ponto realmente negativo da história para mim. Logo no início o Leon é apresentado junto com a sua namorada Kay. A autora a retrata como uma garota ciumenta, possessiva e um pouco grudenta. Mas na verdade, tudo que eu enxerguei foi alguém que queria atenção, cuidado e carinho mesmo que a autora tenha tentado nos levar a acreditar em outra coisa.

O ex-namorado da Tiffy, Jason, causa arrepios de repulsa. No início do livro ele quase não aparece. Na verdade, ele é apenas citado algumas vezes pela Tiffy e pelos amigos dela. Mais na frente começamos a ter contato direto com ele e conhecer melhor da sua personalidade sutilmente manipuladora e extremamente psicopata. Cada vez que ele aparecia eu tinha vontade entrar no livro e dar vários socos em sua carinha bonitinha e engomada.

Não posso deixar de citar Gerty, Rachel e Mo. Eles são apenas maravilhosos e têm uma participação muito grande no processo de recuperação de Tiffy.

Teto para Dois é uma história vibrante, com aquele humor britânico meio peculiar e personagens multidimensionais. Foi uma leitura rápida, leve e envolvente, com toques de romance e comédia, mas sem perder a profundidade emocional abordando alguns temas bastante complicados.


Depois de Você (Me Before You #2) - Jojo Moyes

Título Original: After You
Autor (a): Jojo Moyes
Data de Publicação: 2016
Número de Páginas:320
Série: Me Before You #2
Editora: Intrínseca
Classificação: 









Como Eu Era Antes de Você é um dos meus livros favoritos da vida. Não importa se o final me fez chorar e me deixou indignada, porque só podia ser daquele jeito e qualquer desfecho diferente tornaria a história incoerente. Então, com o coração arrasado terminei de ler a história de Lou e Will e segui em frente com a minha vida.

Entretanto, a Jojo Moyes decidiu que o livro precisava de uma continuação. Confesso ser muito, muito chata com essa ideia de fazer continuação de uma história que teve um ponto final e quando o livro é especial pra mim eu me mostro ainda mais chata e mais exigente. Então, Depois de Você foi lançado e lembro de ter falado no Twitter que iria lê-lo nem que fosse para poder falar mal dele com propriedade e aqui estou eu, infelizmente.

Em primeiro lugar se você não leu Como Eu Era Antes de Você pode ir parando por aqui porque os spoilers vão correr soltos.

Depois de Você não precisava ter acontecido. Essa frase é radical demais para você? Imagine para mim que amei com todas as minhas forças o seu antecessor. Mas não há como dizer de outra forma quando uma história é tão incrivelmente escrita e sua continuação é uma leitura arrastada e na qual você passa a maior parte do tempo tentando entender qual era o intuito da autora ao escrevê-la.

Não consegui reconhecer a Lou. É claro que todo o sofrimento pela perda de Will a transformou, mas não havia mais nada dela. Depois de Você poderia ser um outro livro porque a Lou não era mais ela, nadinha. Foi como se uma outra personagem tivesse sido construída e colocada na história. Tentei sem compreensiva e ver pelo lado do sofrimento e da dor, senti que ela provavelmente passaria por uma mudança, uma evolução e isso realmente aconteceu. Menos mal. Mas ainda assim uma vozinha dentro da minha cabeça ficava repetindo: "essa não é a Lou, era melhor ter deixado quieto mesmo".

Vários novos personagens foram introduzidos e também pude rever alguns do primeiro livro. Uma certa adolescente, que eu não posso explicar exatamente quem é, foi a pedra no meu sapato e um dos fortes motivos para minha leitura ter se arrastado tanto. Ela se apossou do apartamento de Lou, ia e vinha quando queria, não dava explicações sobre o que fazia, levava desconhecidos para o apartamento, mexia nas coisas de Lou e ficava chateada se ela reclamasse. Lou achava que tinha obrigações com a garota e parou toda a sua vida por isso, abriu mão de um futuro promissor e de um recomeço que lhe faria bem. 

Quase no final entendemos um pouco das ações da adolescente e de seu jeito rebelde de ser, mas também temos a certeza de que boa parte de suas atitudes foram fruto de sua personalidade insuportável mesmo. O ponto positivo do aparecimento dessa personagem é que ela conseguiu tirar Lou da inércia em que ela se encontrava.

A narrativa e o enredo foram os outros pontos negativos. Como falei logo no início, a história tinha um ritmo muito lento e durante boa parte da leitura fiquei tentando entender qual era a intenção da autora e para onde ela estava querendo ir e levar Lou. As páginas iam passando e nada acontecia, era só aquele marasmo do dia a dia mesmo. As coisas só começaram a ficar um pouquinho interessantes quase no final e aí o livro terminou.

Apesar de todas essas críticas a história não teve apenas pontos negativos. Foi muito interessante ver a recuperação gradual de Lou depois da morte de Will. Seria artificial demais se ela ficasse bem logo nas primeiras páginas, não seria nada condizente com a relação que eles tiveram. Aos poucos e com a ajuda de algumas pessoas e um grupo de apoio muito especial ela foi deixando a culpa de lado e recuperando a vontade de viver.

E como não podia faltar o amor surgiu na vida dela novamente. Foi algo doce, romântico, intenso e verdadeiro. Na minha opinião foi sem sombra de dúvida a melhor parte do livro, apesar de ter tido pouco espaço na história.

Depois de Você foi minha primeira decepção de 2016 e apesar de decidir dar três estrelinhas para o livro (mais por uma questão emocional do que por ele realmente merecer) continuo achando a sua existência desnecessária. Entretanto existem inúmeras resenhas por aí elogiando-o. Meu conselho é: vá sem nenhuma expectativa, esqueça boa parte dos sentimentos que Como Eu Era Antes de Você trouxe em suas páginas e tente aproveitar a nova vida de Lou.

Todos os Nosso Ontens - Cristin Terrill

Título Original:  All Our Yesterdays
Autor (a): Cristin Terrill
Data de Publicação: 2015
Número de Páginas: 352
Editora: Novo Conceito
Classificação: + 0,5
Livro cedido em parceria com a Novo Conceito

O que um governo poderia fazer se pudesse viajar no tempo?
Quem ele poderia destruir antes mesmo que houvesse alguém que se rebelasse?
Quais alianças poderiam ser quebradas antes mesmo de acontecerem?
Em um futuro não tão distante, a vida como a conhecemos se foi, juntamente com nossa liberdade. Bombas estão sendo lançadas por agências administradas pelo governo para que a nação perceba quão fraca é. As pessoas não podem viajar, não podem nem mesmo atravessar a rua sem serem questionadas. O que causou isso? Algo que nunca deveria ter sido tratado com irresponsabilidade: o tempo. O tempo não é linear, nem algo que continua a funcionar. Ele tem leis, e se você quebrá-las, ele apagará você; o tempo em que estava continuará a seguir em frente, como se você nunca tivesse existido e tudo vai acontecer de novo, a menos que você interfira e tente mudá-lo...
 
O tema viagem no tempo ao mesmo tempo que atrai a minha curiosidade é um desafio para minha imaginação e para a parte lógica do meu cérebro. A Mulher do Viajante do Tempo foi meu primeiro livro sobre o tema e apesar de ter amado a história contestei e não aceitei a maior parte das explicações da autora sobre Henry conseguir viajar para frente e para trás no tempo, a verdade é que minha cabeça deu um nó várias vezes. Depois dessa experiência mantive-me longe de livros que abordassem esse assunto até que Todos os Nossos Ontens chegou para mim.

Confesso que quando escolhi o livro na Página de Vantagens da NC não li a sinopse, minha escolha foi baseada nas opiniões e notas do Goodreads, afinal um livro com mais de 4 estrelas deve ter algo muito bom a me contar.

O primeiro ponto super positivo sobre o livro e que eu sinto que preciso frisar é o fato dele não ser parte de uma trilogia/série, tudo se resume a apenas ele. Isso significa que a história não teve enrolações - o que eu colocaria como segundo ponto positivo - e que os personagens tiveram um final redondinho. Nada de questionamentos, nada de suposições, nada de desespero e ansiedade até que a editora lançasse o segundo livro.

Todos os Nosso Ontens é um livro que apesar de não conseguir me convencer com sua teoria sobre viagem no tempo - e olha que a autora foi bastante cuidadosa e convincente na tentativa de explicar o fenômeno - prendeu totalmente minha atenção e fez com que eu não quisesse largá-lo até saber o que aconteceria com Em, Marina, James e Finn. O livro é também uma distopia e mais uma vez vemos o mundo destruído pela ganância e pela luta pelo poder.

Poderia ter gostado muito de Marina, poderia ter gostado ainda mais de Em, mas algumas atitudes das duas tiraram-me do sério mesmo entendendo um pouco o sentimento de cada uma com relação à James. A missão de Em era realmente difícil, mas ela já tinha falhado 14 vezes e enquanto o tempo passava e as coisas ficavam cada vez mais complicadas víamos ela pronta para falhar novamente por causa dos seus sentimentos confusos.

Finn é aquele tipo de personagem que no início da história você já sabe que vai amar mesmo se ele fizer algumas coisas que você não goste, o que não foi o caso aqui. Ele foi amigo, companheiro e fiel até o final, defendendo Em de tudo e de todos que pudessem machucá-la.

James despertou em mim sentimentos contraditórios. O garoto doce e inteligente tornou-se alguém quase irreconhecível. Ele sofreu muito, se decepcionou muito, mas suas ações foram quase impossíveis de serem justificadas. Fiz algumas apostas sobre o destino do personagem e confesso que errei todas. Foi triste, foi dramático, mas depois de tudo o que aconteceu entendemos que não tinha como ser diferente.

No geral, fiquei satisfeita com Todos os Nosso Ontens, apesar de alguns pontos fracos que já foram citados na resenha. Cristin Terrill se saiu muito bem em seu romance de estreia e certamente irei ler outros livros seus. Os personagens saltam em nós e é impossível não se conectar com eles, sua dores, seus medos e suas dúvidas. O enredo é envolvente e o ritmo do livro faz com que o leitor não queira largar até virar a última página. Encorajo os leitores com interesse em romances distópicos, YA romances, viagem no tempo ou apenas à procura de um livro interessante e bem estruturado para e jogar nessa leitura.

Beleza Perdida - Amy Harmon

Título Original: Making Faces
Autor (a): Amy Harmon
Data de Publicação: 2015
Número de Páginas:336
Editora: Verus
Classificação:  

Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.
Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.
Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Escrever essa resenha foi um pouco difícil para mim porque minha opinião parece ir na contramão da maioria dos leitores. Na verdade procurei bastante e não encontrei nenhuma resenha negativa desse livro. A minha também não será, o que torna as coisas menos ruins. A questão é que essas inúmeras resenhas positivas e a expectativa criada por elas podem ter atrapalhado um pouco, mas o livro em si também teve sua parcela de culpa.

Beleza Perdida é aquele tipo de livro que tem tudo para conquistar o leitor que gosta de um bom romance com uma pitada generosa de drama, eu sou uma dessas leitoras, mas faltou algo, faltou aquele momento quando a história consegue te prender e você se vê tão envolvida na história que sempre quer ler "só mais essa página". Faltou sentir o frio na barriga nas cenas românticas e faltou as lágrimas nas cenas tristes.

Harmon tem uma narrativa boa e é impossível não se envolver com os dramas dos seus personagens. Apesar de ser um romance, esse não foi o foco do livro, pelo menos não para mim. A relação entre Fern e Bailey foi o que realmente me tocou e que mexeu com meu coração, foi um dos melhores lados da história. Fern era ingênua e tinha um dos melhores corações que eu já vi, Bailey era seu primo e tinha distrofia muscular de Duchenne o que o tornava bastante dependente de outras pessoas para tudo. Os dois tinham uma ligação incrível, um companheirismo ímpar, eram uma dupla perfeita e um sempre estava lá pelo outro.

Bailey foi de longe meu personagem favorito. Mesmo estando muito debilitado e tendo muitas dificuldades por causa da doença ele tinha uma vontade de viver e uma disposição para ser feliz invejáveis. Ele era sincero, direto, irônico e tirava sarro da própria debilidade, inclusive quando Ambrose voltou da guerra com seu rosto cheio de cicatrizes ele não poupou o amigo das zombarias, era uma forma de tentar tornar a situação mais leve e mostrar que mesmo alguns problemas sendo bem grandes é possível conviver e até rir deles.

Fern foi uma fofa o tempo todo. Ele era aquela garota de coração bom e generoso com autoestima muito baixa que nunca se importou com aparências das pessoas e que sempre sonhou em ter seu amor correspondido. Só o fato dela ser fã de Nora Roberts já seria o suficiente para ter me ganhado, mas além disso ela lia romances de banca (amooooo) e sonhava em ser escritora. Fern foi essencial na recuperação psicológica de Ambrose depois que ele voltou da guerra. Ela foi paciente, até demais, insistente e não desistiu até chegar ao coração dele.

Com relação à Ambrose imaginei que as perdas que ele sofreu deixariam mais marcas no seu psicológico do que realmente aconteceu. Acredito já ter lido alguns outros livros que retratavam soldados que voltavam do serviço militar e as consequências do que eles viveram foram bem mais intensas e marcantes do que aconteceu com Ambrose. Enfim, ele obviamente tinha seus demônios para enfrentar e um longo caminho a percorrer. 

Achei bem interessante o fato da autora ter abordado a religião na história. Ela usou passagens bíblicas e tudo mais, não me lembro de ter encontrado algo assim em nenhum outro livro que não seja especificamente voltado ao público cristão. Talvez por isso não tenha havido muitas cenas de pegação e nenhuma de sexo explícito, algo bem incomum para um NA.

Assim como aconteceu em Sr. Daniels (que eu escrevi a resenha, mas apaguei por acidente) aqui temos um morte dolorosa e inaceitável. Sinceramente, não consegui entender o porquê da autora ter feito o que fez. Acredito que a intenção tenha sido causar impacto, nos fazer chorar e deixar a história mais dramática, mas eu fiquei com tanta raiva e tão inconformada que nem chorei. O personagem morreu, nada de bom se aproveitou disso e o livro perdeu alguns pontos comigo.

Beleza Perdida passou um pouco longe do que eu estava esperando, não foi uma leitura ruim, mas faltou algo para que ele conseguisse me fisgar para valer. Entretanto, é um livro agridoce, esclarecedor e bonito e que traz em suas páginas importantes uma história comovente sobre uma amizade verdadeira e altruísta que vai além das aparências e das inseguranças e sobre um amor sincero que fortalece e que tem o poder de curar.

Uma Curva no Tempo - Dani Atkins

Título Original: Fractured
Data de Publicação: 2015 
Número de Páginas: 256 
Editora: Arqueiro
Classificação: 

Uma Curva no Tempo - A noite do acidente mudou tudo... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim... Ou funciona?
A noite do acidente foi uma grande sorte... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Um Curva no Tempo é queridinho entre vários leitores. É só vocês conferirem as resenhas pela blogosfera ou a nota dele no Skoob e Goodreads que vão entender o que estou dizendo. As pessoas ficaram realmente encantadas e apaixonadas pela história. Por isso não quis escrever essa resenha assim que terminei a leitura, preferi me dar um tempo e pensar um pouco mais no que eu li e em como eu me senti durante toda a leitura.

O livro foi muito bem recomendado por algumas amigas blogueiras, então as minhas expectativas estavam realmente altas quando comecei. Inicialmente foi um pouco frustrante para mim encontrar uma história cheia de incógnitas e quase nenhuma resposta. Esse é um dos pontos altos do livro, a capacidade que a autora teve de conseguir guiar os acontecimentos soltando algumas pistas ao longo do caminho, mas eu sou curiosa por natureza e fiquei enlouquecida por não conseguir entender o que estava acontecendo. Entendam que esse não é um ponto negativo, mas se você decidir ler Uma Curva no tempo prepare-se para sofrer bastante até que as coisas comecem a fazer sentido ou se você for mais inteligente do que eu fui vai conseguir pegar as coisas no ar rapidinho.

Muitas teorias surgiram na minha mente para tentar explicar por que Rachel estava vivendo duas histórias tão diferentes e lembrar de apenas uma delas, mas a resposta certa só apareceu para mim perto do final depois que ela começou a ver coisas que ninguém via e sentir cheiros que ninguém sentia. Ainda assim minha teoria não parecia ter muita concretude até que veio o desfecho. Desde o começo, assim que vi a capa desse livro, tive a sensação que a história se parecia com Como Eu Era Antes de Você. No fim das contas vi que os dois são totalmente diferentes, ao mesmo tempo em que são dolorosamente parecidos e eu falo isso me referido especificamente ao final.

O final de Uma Curva no Tempo assim como aconteceu em Como Eu Era Antes de Você foi perfeito para a história o que não quer dizer que tenha sido um final que deixará o leitor feliz. Dependendo da sua sensibilidade você irá chorar e pensar o quão lindo e maravilhosamente doloroso ele foi.

Entretanto gostar do final não quer dizer que eu gostei do livro como um todo. O maior ponto negativo, aquele que me fez querer largar o livro por várias vezes foi a narrativa da autora. Gosto de história com diálogos, se eles forem poucos que ao menos sejam interessantes ou importantes para o contexto. Detesto aquelas narrativas que se perdem em situações que não influenciarão em nada, onde a autora fica dando voltas e voltas para não chegar a lugar nenhum. Isso aconteceu muitas vezes. Foram muitos momentos, muitas páginas na verdade, que não fizeram diferença nenhuma e por isso o livro perdeu pontos comigo.

Quanto à Rachel ela foi o outro ponto negativo do livro e isso é bem complicado quando estamos falando da protagonista. Como falei antes ela estava vivendo duas história diferentes: uma muito ruim e outra muito boa. Resumindo, a vida dela estava um caos, uma pessoa importante para ela havia morrido e seu pai estava muito doente. Um certo dia ela desmaia, acorda no hospital e sua vida está perfeita, a pessoa importante está viva e seu pai está vendendo saúde. O que ela faz? Fica completamente revoltada com sua nova realidade e tenta provar para todo mundo que nada é verdade. Tudo bem, eu até entendo a pessoa tentar compreender o que estava acontecendo, mas depois de um tempo sua busca pela "verdade" torna-se chata e meio burra. Se tudo parece se encaixar tão bem porque não aceitar que a vida ruim eram apenas um sonho?

Em resumo, durante toda a leitura tive a sensação que a história iria enfim engrenar e me conquistar para valer. O plot era realmente interessante e o romance prometia. Mas sempre que eu sentia que as coisas poderiam ir a algum lugar, tudo saia dos eixos novamente. Uma Curva no Tempo é um livro que poderia ter sido muito mais, poderia ter se tornado inesquecível e entrado na minha lista de favoritos, mas não chegou lá. Eu não diria para você não lerem, mas não tenham tantas expectativas e talvez assim gostem muito mais da história do que eu.

Fragmentados - Neal Shusterman (Unwind Dystology #1)

Título Original: Unwind
Autor (a): Neal Shusterman
Data de Publicação: 2015
Número de Páginas:368
Série: Unwind Dystology #1
Editora: Novo Conceito
Classificação:  + 0,5
Livro cedido em parceria com a Novo Conceito 

Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria.
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

Já imaginou viver em um mundo onde é permitido e normal que pessoas tenham seus corpos fragmentados e que todas as partes sejam usadas em outras pessoas? Vocês poderiam responder que é isso que acontece com o transplante de órgãos. Parece ser a mesma coisa, mas tem um diferença enorme entre os dois, a fragmentação acontece quando "doador" ainda está vivo. Essa medida bizarra, cruel e inaceitável é o plano de fundo para o romance Fragmentados.

Quando comecei a leitura sabia muito pouco sobre a história e trazia comigo a expectativas de pessoas que haviam lido e gostado muito. O início do livro foi realmente interessante, com alguns momentos cheios de adrenalina e eletricidade, mas a história foi perdendo um pouco o ritmo e se manteve morna pela maior parte do tempo. Quando eu já estava começando a perder as esperanças e decidida a dar um tempo as coisas se agitaram novamente e eu não consegui largar até chegar ao final.

O livro é narrado em terceira pessoa sob o ponto de vista de vários personagens, mas principalmente por Connor, Risa e Lev três fragmentários que conseguiram fugir dos campos de colheita, lugares onde são feitas as fragmentações, e estavam tentando sobreviver até os dezoito anos, idade onde você ficava livre do risco de ser fragmentado. Nenhum dos três teve um destaque especial para mim. Gostei de Connor e principalmente de Risa por ser corajosa, decidida e muito companheira, mas não criei vínculos com eles. Lev me causou mais frustração do que qualquer outra coisa, vamos dizer que nos segundos finais ele tenha conseguido ganhar um pouco da minha simpatia, mas continuo nem aí para ele.

Senti uma "cutucada" do autor no tema aborto, um certo posicionamento contra. A fragmentação era um forma dos pais se livrarem dos filhos indesejados, aqueles adolescentes problemáticos, um aborto tardio. Mas essa pode ter sido uma visão unilateral minha e o autor tenha tentando apenas instigar nosso senso crítico sem se posicionar sobre nada. Como esse é um assunto bastante polêmico prefiro não me aprofundar nessa análise.

Como disse anteriormente a história perdeu seu ritmo durante algumas páginas, mas perto do final ela ganhou fôlego e nos entregou a pior cena e a que para mim foi o ápice de tudo: o processo de fragmentação. Fiquei agoniada, me sentindo mal e incomodada pela forma fria e impessoal com que eles tratavam as pessoas que estavam sendo fragmentadas. Além disso o processo de fragmentação em si, a divisão das partes do corpo, é algo perturbador, arrepiante e a narrativa do autor fez tudo parecer muito real. O pior para mim foi que ao comentar minhas sensações num grupo de leitura do Whatsapp acabei descobrindo que a fragmentação existe de verdade. Não posso entrar em detalhes por que não os conheço, só o que sei é que algo bem próximo à fragmentação acontece em alguns países asiáticos. O acesso a esse conteúdo parece ser possível apenas através da Deep Web, então já dá para imaginar o quão horrível isso deve ser.

Apesar da narrativa em montanha-russa, Fragmentados não é um livro que possa ser ignorado. Neal Shusterman criou uma distopia diferente e que faz o leitor pensar e repensar sobre algumas coisas. O final foi bastante tranquilo e não teve um cliffhangers para nos deixar desesperados pelo próximo volume. Sim, o livro faz parte de uma série de quatro livro que já foram lançados. Agora é esperar que a Novo Conceito nos presentei o mais rápido possível com o próximo.

Vivian Contra o Apocalipse - Katie Coyle

Título Original: Vivian Apple at the End of the World
Data de Publicação: 2015 
Número de Páginas: 288 
Editora: Agir Now
Classificação:


Vivian Contra o Apocalipse - Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” — ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja faz tempo demais, e ela está ansiosa para que voltem ao normal. O problema é que, quando Vivian chega em casa no dia seguinte ao suposto Arrebatamento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto…
Vivian está determinada a seguir vivendo normalmente, mas quando começa a suspeitar que seus pais ainda podem estar vivos, ela percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre o verdadeiro paradeiros dos seguidores da Igreja (ou é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos. Mas, depois de atravessar quilômetros de eventos climáticos bizarros, gangues de Crentes vingativos e um estranho grupo de adolescentes auto-intitulados os “Novos Órfãos”, Viv logo vai perceber que o Arrebatamento foi só o começo.
Katie Coyle, vencedora do Young Writers Prize do jornal The Guardian em 2012, imagina uma realidade infelizmente muito próxima da nossa, em que capitalismo, política, entretenimento e religião se combinam para criar uma cultura de intolerância que não acaba com o Arrebatamento. Com reviravoltas surpreendentes, um humor mordaz típico da geração Y e personagens femininas que não devem nada a ícones como Buffy e Rory Gilmore, Vivian contra o apocalipse é uma estreia arrebatadora que vai fazer você questionar até onde iria pela verdade.

Na maioria das vezes as minhas escolhas de leitura são resultantes de alguma influência. Geralmente são resenhas que leio na blogosfera ou comentários do Goodreads (não confio muito no Skoob, principalmente se o livro for nacional).Vivian Contra o Apocalipse foi uma indicação indireta (vi no Twitter) de uma blogueira razoavelmente conhecida. Ela se mostrou muito empolgada com a história e recomendou insistentemente para que todos o lessem. Decidida a sair de uma ressaca literária monstruosa, resolvi arriscar e dar uma chance à história que pela sinopse prometia ser bastante interessante.

Vivian Contra o Apocalipse não foi uma leitura ruim, tampouco chegou a ser tudo o que foi alardeado sobre ele. É claro que as minhas expectativas estavam altas e que o fato do enredo ser interessante, diferente e intrigante contribuíram para que no início eu ficasse bastante empolgada, mas a animação não durou muito tempo e logo eu estava esperando por mais, uma mais que eu não consigo definir exatamente o que era, mas que a sua falta não me deixou achar o livro tão maravilhoso como parece ter acontecido com outras pessoas.

A história foca num provável fim do mundo e no arrebatamento de algumas pessoas de uma determinada igreja americana. O livro é claramente uma crítica ao fanatismo religioso e à forma irracional e muitas vezes burra como algumas pessoas agem em nome de uma crença. Apesar do exagero da maioria das situações apresentadas, consegui enxergar muito da realidade de algumas igrejas, seitas e religiões praticadas no "mundo real" e confesso que isso me assustou. 

Quanto aos personagens, para mim nenhum mereceu grande destaque, nem mesmo a própria Vivian que se tornou a heroína de muitos leitores pela coragem que teve ao enfrentar situações bastante complicadas com muita coragem e determinação. Harp sua melhor amiga tirou-me do sério várias vezes, mas por todas as coisas que ela precisou enfrentar eu consegui suportá-la.

Imaginei várias hipóteses para o que realmente havia acontecido, porque, sinceramente, em nenhum momento acreditei de verdade que os Crentes haviam sido arrebatados. A história criada por Katie é bem insana, principalmente depois que sabemos o que aconteceu com os arrebatados. Entretanto, a loucura maior é descobrir que insanidades como as do livro já aconteceram de verdade e não foram poucas vezes.

Em resumo, Vivian Contra o Apocalipse foi uma leitura interessante, mas precisava de algo mais para realmente me conquistar. Pelo forma como a história terminou dá para supor que existe uma continuação e o Goodreads me confirmou isso. Entretanto, confesso não estar animada para o livro 2. Talvez eu possa mudar de ideia depois que saírem as resenhas dele por aqui. Vamos esperar para ver.

Primeiro e Único - Emily Giffin

Título Original: The One and Only
Data de Publicação: 2015 
Número de Páginas: 448 
Editora: Novo Conceito 
Classificação:  
Livro cedido em parceria com a Novo Conceito

Shea tem 33 anos e passou toda a sua vida em uma cidadezinha universitária que vive em função do futebol americano. Criada junto com sua melhor amigas, Lucy, filha do lendário treinador Clive Carr, Shea nunca teve coragem de deixar sua terra natal. Acabou cursando a universidade, onde conseguiu um emprego no departamento atlético e passa todos os dias junto do treinador e já está no mesmo cargo há mais de dez anos.
Quando finalmente abre mão da segurança e decide trilhar um caminho desconhecido, Shea descobre novas verdades sobre pessoas e fatos e essa situação a obriga a confrontar seus desejos mais profundos, seus medos e segredos.

Existem autores que são tão bons no que fazem que mesmo quando não concordamos com as atitudes de alguns personagens ou com os rumos que a história toma, somos envolvidos e conquistados. As palavras entram nas nossas mentes, tocam nossos corações e sem perceber somos parte do que está acontecendo. Odiamos, amamos, choramos e ficamos indignados, não conseguimos largar a leitura, mesmo quando tudo o que queremos é jogar o livro pela janela. São sentimentos contraditórios, eu sei, mas bons autores são aqueles que conseguem despertar algo em nós e para mim Emily Giffin se encontra nessa categoria.

Sou fã da autora desde O Noivo da Minha Melhor Amiga. Amei e odiei o livro na mesma intensidade. Amei a autora por criar um romance tão lindo e a odiei por ter estragado uma amizade com uma traição e por me fazer torcer, mesmo sem querer, pelo casal traidor. Emily é fantástica com as palavras e sabe conquistar o leitor.

Laços Inseparáveis havia sido minha última leitura da autora e apesar de ter gostado bastante não conseguiu despertar em mim as mesmas emoções que O Noivo da Minha Melhor Amiga e Presentes da Vida. Estava sentindo falta do frio na barriga que seus romances provocavam em mim, do sorriso bobo no rosto e da expectativa. Primeiro e Único, lançado recentemente pela Novo Conceito, não conseguiu alcançar o patamar dos meus favoritos da autora, mas conseguiu resgatar um pouco de tudo isso e me deixou bastante empolgada e envolvida.

Confesso ter sentido uma certa dificuldade com a ambientação da história e esse é um dos pontos negativos que encontrei e que me impediu de favoritar o livro. O futebol americano é o plano de fundo da trama e por não ter conhecimento nenhum sobre o assunto fiquei meio perdida em meio a algumas expressões e denominações. As cenas que tinham como foco o esporte passavam como um borrão diante dos meus olhos. Não cheguei a pular parágrafos, mas passava apenas os olhos nas linhas até chegar em algo que realmente me interessasse.

Entretanto, não se assustem ou pensem em colocar esse livro no último lugar da sua lista caso você entenda de futebol americano tanto quanto eu, por que esse não é um livro sobre futebol, não é uma história sobre esportes, é sobre amor, amizade, recomeços, perda, família e relacionamentos. É uma história cheia de lições e com personagens humanos e reais.

O romance, que geralmente é o ponto controverso das histórias de Emily, mais uma vez mexeu com a noção de certo e errado que eu trago comigo. A relação entre a personagem principal - Shea -  e o pai de sua melhor amiga - Treinador Carr -  me deixou dividida, não só pela diferença de idade (que pode ser relevada), mas pelo fato dele ter sido quase um pai para ela durante toda a sua vida e de repente os dois estarem envolvidos amorosamente. Ao mesmo tempo em que eu queria que ela seguisse com a vida dela e deixasse esse amor para trás, eu também torcia para que eles conseguissem ficar juntos (meu lado romântico falando mais alto).

Nas cenas em que os dois estavam juntos eu esquecia completamente quem eles eram e só conseguia enxergar como eles estavam envolvidos e apaixonados e como o que eles sentiam um pelo outro era verdadeiro. Foi um romance bonito de se ver, construído aos poucos, pacientemente, uma conquista por vez. Mas logo eu lembrava quem eles eram e me sentia estranha e confusa novamente.

O final foi mais um ponto que me deixou na dúvida entre gostar ou não. Não dá para ignorar todos os problemas que o romance entre Shea e o treinador causaram, é assunto que deveria ter sido melhor trabalhado e concluído, principalmente com relação à Lucy, filha do treinador e melhor amiga de Shea, que era totalmente contrária à relação. Além disso, algumas questões ficaram sem resposta como a investigação pela qual o time da Walker estava passando. Ficamos sem saber o que realmente aconteceu e se eles eram realmente culpados das acusações ou não.

Primeiro e Único conseguiu me conquistar apesar dos pontos controversos. Entretanto, é fato que a história poderia ter sido muito melhor do que foi. Ele não conseguiu entrar para minha lista de favoritos da autora, mas foi uma leitura prazerosa e como é típico da autora, despertou em mim os mais variados sentimentos e me fez questionar a noção de certo e errado que é tão concreto na minha cabeça.
 
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