Terra Americana - Jeanine Cummins

Título Original: American Dirt
Autor (a): Jeanine Cummins
Data de Publicação: 2020
Número de Páginas: 416
Editora: Intrínseca
Classificação: 



Em uma agradável vizinhança de Acapulco, um massacre. Uma chacina vitima dezesseis membros de uma mesma família, durante uma festa de quinze anos. Os únicos sobreviventes são Lydia e seu filho Luca, de oito anos. O marido de Lydia, Sebastián, foi o jornalista responsável pelo perfil jornalístico do homem que controla o cartel de drogas mais poderoso da cidade. E agora, como a maioria dos seus parentes, ele também está morto.
Repleto de suspense e impactante, Terra americana tem personagens cativantes, cujas histórias fazem refletir sobre o heroísmo e a generosidade das pessoas que arriscam tudo para ter um lugar em que possam viver com dignidade. Escolhido para o clube do livro da Oprah, o romance já teve os direitos de adaptação cinematográfica adquiridos.

Quem me segue no Skoob acompanhou os meus surtos durante a leitura de Terra Americana. Enlouqueci com a história. Não conseguia parar de ler e tinha dificuldade em me concentrar nos estudos porque tudo que eu queria era pegar o meu Kobo e viajar junto com Lydia e Luca pelo México. Pelo menos até a metade do livro.

No início da leitura as minhas expectativas estavam bastante altas e a história que eu encontrei conseguiu manter a minha animação durante muito tempo. O primeiro capítulo do livro te pega jeito e a forma como a autora vai soltando as informações aos poucos te mantém presa. Normalmente isso me irrita, esse "conta-gota" de informações, mas ela soube como fazer de forma que eu não me importei em ter que esperar um pouco mais para saber os detalhes. A história vai fluindo e você não sente as páginas passarem. Cada peça do quebra-cabeça que era encaixada despertava emoções variadas em mim.

A fuga de Lydia e Luca depois de conseguirem se livrar de uma chacina ordenada por um cartel em Acapulco (eu só conseguia pensar no Chaves) é de tirar o fôlego. Em uma determinada cena a tensão que os dois vivenciaram foi tão intensa que eu fiquei com coração acelerado e precisei parar ao final do capítulo para conseguir recuperar o fôlego e retomar a leitura. Foi uma das emoções fisicamente mais intensas que eu já vivi durante uma leitura. Estou acostumada a cenas que me fazem sentir tristeza, chorar, mas sentir medo e aflição como se fosse comigo foi a primeira vez.

Tudo estava indo bem até que em um determinado momento senti como se um chave tivesse virado e a história perdesse um pouco o fôlego. Não me entendam mal, o livro não ficou ruim, mas estava faltando algo. Percorrer o México junto com Lydia e Luca e com as pessoas que eles acabaram conhecendo no caminho foi aflitivo porque você não sabia qual a próxima coisa horrível iria acontecer com eles. Foi uma leitura tensa porque você não sabia quem realmente era de confiança ou quem fingia ser para se aproximar deles e fazer algum mal. Entretanto acho que faltou explorar o conflito existente entre ela e Javier.

Javier era chefe do cartel responsável pela chacina e também amigo de Lydia. Quando a autora "soltou essa bomba" eu esperei que em algum momento eles tivessem um embate. A ameaça de que ele queria matar ela e seu filho foi o que a fez fugir de Acapulco e tentar atravessar a fronteira para o EUA. Javier era como uma sombra, mas mesmo sendo tão influente e tão poderoso eu não senti que ele fosse realmente pegá-la. A minha aflição era mais por causa da La Bestia e das pessoas que ela encontrava no caminho que também estavam indo em direção el norte. Acredito que foi essa expectativa não atendida que jogou um balde de água fria na minha leitura. SPOILER (para ver o trecho, selecione a frase a seguir) A autora criou um problema que prometia ser enorme, mas fora o que ele fez no início do livro (que foi extremamente chocante, doloroso e traumatizante) nada mais aconteceu. FIM DO SPOILER

As últimas páginas foram bem pesadas e tristes. Na verdade, elas não foram muito diferentes do que foi o livro inteiro. É claro que eu não esperava encontrar uma história bonitinha e leve, mas as cenas difíceis nesse livro são muitas e é impossível não se sentir destroçada ao lê-las.
Terra Americana foi muito mais do que eu esperava no começo, perdeu um pouco da minha atenção no meio e entregou um final ok. Foi decepcionante ver uma história que parecia tão incrível perder um pouco do seu brilho e não entregar todo o seu potencial.

P.S: Pesquisando sobre Terra Americana na internet descobri que na época do seu lançamento ele se envolveu em várias polêmicas sendo chamado de estereotipado e apropriador. Os leitores criticaram a autora por ser branca e escrever um livro sobre a história de uma mulher mexicana "roubando" seu lugar de fala.

Os sete maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid

Título Original: The Seven Husbands of Evelyn Hugo
Autor (a): Taylor Jenkins Reid
Data de Publicação: 2019
Número de Páginas: 360
Editora: Paralela
Classificação:





Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes ― seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido… pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

Sabe aquele livro que você tem vontade de sair indicando para todo mundo? Então, leiam Os sete maridos de Evelyn Hugo.

Comecei a leitura cheia de expectativas por já ter lido um outro livro da autora (Daisy Jones e The Six) e ter ficado apaixonada pela forma como ela conseguiu transformar personagens e situações fictícias em algo tão próximo da realidade.

Em Os sete maridos de Evelyn Hugo a Taylor Jenkins repetiu a fórmula e mais uma vez acertou em cheio na construção tanto da história quanto dos personagens. É tão envolvente que o tempo inteiro precisava me lembrar que aquela história não era real, que a Evelyn Hugo assim como os seus maridos, os amores, os outros atores e os filmes citados eram fictícios.

Quantas vezes eu me peguei pensando: vou procurar a foto do ator X ou vou ver se no YouTube tem algum trecho do filme Y. Daí eu lembrava que na verdade nada do que estava naquelas páginas era realidade, apesar de certamente ter se inspirado em muitos atores e histórias de Hollywood. Evelyn Hugo era a Marilyn Monroe do seu mundo, ela poderia ser uma pessoa real como as que você conhece da era de ouro de Hollywood.

A história de Evelyn é viciante, dramática e escandalosa. Cada capítulo do livro é focado em um determinado marido dela e na influência que cada um deles teve na sua vida e na construção da sua história. Além de explorar tópicos como o preço da fama, o racismo em Hollywood, a violência domestisca, questões LGBTQ+ e o direitos das mulheres.

A Evelyn é uma personagem muito complexa. Durante a sua conversa com Monique, a jornalista escolhida para escrever sobre a sua vida, Evelyn deixa claro que não é uma boa pessoa e para conseguir sobreviver e chegar onde tinha chegado ela precisou fazer escolhas difíceis, magoar as  pessoas que amava e muitas vezes deixar de lado seus sentimentos. E ela não pede desculpas por quem é. Nunca. Ela entende que apenas fez o que era necessário para conseguir "sobreviver".

Você quer julgá-la pelas coisas que ela fez, quer pensar nela como alguém fria, manipuladora e calculista, mas você também consegue entender muitas de suas decisões. Sabe que ela fez o que precisava ser feito ou não teria chegado e conseguido o que conseguiu. Evelyn sabia o quanto desviar a verdade, sabia até onde ir para manter o público ao seu lado ou quanto exagero era necessário para recuperar o público após um incidente desfavorável para sua imagem.

Enquanto os capítulos vão passando e você se vê cada vez mais envolvida com a vida dessa atriz de Hollywood, há um mistério subjacente que nunca desaparece: por que Evelyn escolheu Monique para escrever a sua história e de que forma a vida das duas se cruzam? Confesso que a revelação por trás dessa escolha realmente me pegou de surpresa, mas também preciso confessar que o suspense superou a revelação. Eu estava realmente curiosa para saber o motivo, mas a história e a vida da famosa atriz eram interessantes demais e sobrepujaram o mistério que a autora tentou emplacar. Logo, na maior parte do tempo, eu até esquecia que havia algo não esclarecido na escolha de Monique como biógrafa.

O finalzinho do livro me desagradou um pouco e eu fiquei pensando se a decisão de Monique de não intervir foi feita por empatia e com o coração ou se ainda havia muita mágoa pelo que ela descobriu.

Apesar desse pequeno detalhe, Os sete maridos de Evelyn Hugo é um livro fascinante com uma personagem extremamente complexa que, embora fictícia, é muito real. É um romance que merece todos os elogios, é brilhante, emocional, memorável, uma leitura cativante da primeira até a última página.

Teto para Dois - Beth O'Leary

Título Original: The Flatshare
Autor (a): Beth O'Leary
Data de Publicação: 2019
Número de Páginas: 400
Editora: Intrínseca
Classificação: 











Teto para Dois é o tipo de livro que você vê a capa e se for uma grande fã de livros de romance vai pensar na mesma hora "eu preciso ler essa história". Ela traz as seguintes frases: 

Tiffy e Leon dividem a mesma cama.
Tiffy e Leon nunca se encontraram.

Tem como deixar passar algo tão curioso e improvável assim? Não. E foi com bastante expectativa que comecei a leitura desse livro. Admito que antes dei uma olhada no Skoob para ver o que as pessoas estavam falando sobre a história e encontrei diversos comentários positivos o que me deixou ainda mais empolgada e me afastou qualquer dúvida de que eu deveria começar a ler o quanto antes. Inclusive minha leitura do momento não estava rendendo, logo foi a desculpa perfeita para começar Teto para dois.

O início não rendeu muito. Não sei explicar exatamente o porquê, mas eu não consegui me prender a história. Inclusive passei um tempo com o livro meio esquecido no meu kobo e cogitei abandonar a leitura. Ainda bem que não fiz isso porque pesando os prós e os contras no fim das contas foi uma leitura muito agradável.

Os capítulos são narrados alternando entre Tiffy e Leon. A autora conseguiu ser muito habilidosa ao construir "a voz" dos dois personagens. Os capítulos dela são espirituosos e mostram seus post-its cheios de empolgação, frases longas e muitas descrições. Já os capítulos dele são mais sucintos, com frases mais curtas e seus post-its tem um tom mais prático.

Tiffy é o tipo de personagem que em um chick-lit como da Sophie kinsella, por exemplo, poderia me incomodar. Mas aqui autora conseguiu construí-la de uma forma que conquistou a minha simpatia. A personagem me lembra muito Lou Clark de "Como Eu Era Antes de Você". Talvez tenha sido pela forma excêntrica como as duas se vestem ou pela personalidade leve, romântica, positiva e divertida que elas têm. O fato é que depois da impressão inicial sobre como a Tiffy era fisicamente (tive uma certa dificuldade para construir sua imagem na minha cabeça) sempre que ela aparecia na história era Lou que surgia em minha mente. Só que ruiva 😄.

Quanto ao Leon (a outra parte dessa história tão fofinha) ele é o total oposto da Tiffy. Tímido, centrado, sério e bem básico, antes de conquistar o meu coração e me deixar suspirando pelo seu jeito carinhoso, Leon começou a história me decepcionando bastante. Acredito que esse tenha sido o único ponto realmente negativo da história para mim. Logo no início o Leon é apresentado junto com a sua namorada Kay. A autora a retrata como uma garota ciumenta, possessiva e um pouco grudenta. Mas na verdade, tudo que eu enxerguei foi alguém que queria atenção, cuidado e carinho mesmo que a autora tenha tentado nos levar a acreditar em outra coisa.

O ex-namorado da Tiffy, Jason, causa arrepios de repulsa. No início do livro ele quase não aparece. Na verdade, ele é apenas citado algumas vezes pela Tiffy e pelos amigos dela. Mais na frente começamos a ter contato direto com ele e conhecer melhor da sua personalidade sutilmente manipuladora e extremamente psicopata. Cada vez que ele aparecia eu tinha vontade entrar no livro e dar vários socos em sua carinha bonitinha e engomada.

Não posso deixar de citar Gerty, Rachel e Mo. Eles são apenas maravilhosos e têm uma participação muito grande no processo de recuperação de Tiffy.

Teto para Dois é uma história vibrante, com aquele humor britânico meio peculiar e personagens multidimensionais. Foi uma leitura rápida, leve e envolvente, com toques de romance e comédia, mas sem perder a profundidade emocional abordando alguns temas bastante complicados.


Depois de Você (Me Before You #2) - Jojo Moyes

Título Original: After You
Autor (a): Jojo Moyes
Data de Publicação: 2016
Número de Páginas:320
Série: Me Before You #2
Editora: Intrínseca
Classificação: 









Como Eu Era Antes de Você é um dos meus livros favoritos da vida. Não importa se o final me fez chorar e me deixou indignada, porque só podia ser daquele jeito e qualquer desfecho diferente tornaria a história incoerente. Então, com o coração arrasado terminei de ler a história de Lou e Will e segui em frente com a minha vida.

Entretanto, a Jojo Moyes decidiu que o livro precisava de uma continuação. Confesso ser muito, muito chata com essa ideia de fazer continuação de uma história que teve um ponto final e quando o livro é especial pra mim eu me mostro ainda mais chata e mais exigente. Então, Depois de Você foi lançado e lembro de ter falado no Twitter que iria lê-lo nem que fosse para poder falar mal dele com propriedade e aqui estou eu, infelizmente.

Em primeiro lugar se você não leu Como Eu Era Antes de Você pode ir parando por aqui porque os spoilers vão correr soltos.

Depois de Você não precisava ter acontecido. Essa frase é radical demais para você? Imagine para mim que amei com todas as minhas forças o seu antecessor. Mas não há como dizer de outra forma quando uma história é tão incrivelmente escrita e sua continuação é uma leitura arrastada e na qual você passa a maior parte do tempo tentando entender qual era o intuito da autora ao escrevê-la.

Não consegui reconhecer a Lou. É claro que todo o sofrimento pela perda de Will a transformou, mas não havia mais nada dela. Depois de Você poderia ser um outro livro porque a Lou não era mais ela, nadinha. Foi como se uma outra personagem tivesse sido construída e colocada na história. Tentei sem compreensiva e ver pelo lado do sofrimento e da dor, senti que ela provavelmente passaria por uma mudança, uma evolução e isso realmente aconteceu. Menos mal. Mas ainda assim uma vozinha dentro da minha cabeça ficava repetindo: "essa não é a Lou, era melhor ter deixado quieto mesmo".

Vários novos personagens foram introduzidos e também pude rever alguns do primeiro livro. Uma certa adolescente, que eu não posso explicar exatamente quem é, foi a pedra no meu sapato e um dos fortes motivos para minha leitura ter se arrastado tanto. Ela se apossou do apartamento de Lou, ia e vinha quando queria, não dava explicações sobre o que fazia, levava desconhecidos para o apartamento, mexia nas coisas de Lou e ficava chateada se ela reclamasse. Lou achava que tinha obrigações com a garota e parou toda a sua vida por isso, abriu mão de um futuro promissor e de um recomeço que lhe faria bem. 

Quase no final entendemos um pouco das ações da adolescente e de seu jeito rebelde de ser, mas também temos a certeza de que boa parte de suas atitudes foram fruto de sua personalidade insuportável mesmo. O ponto positivo do aparecimento dessa personagem é que ela conseguiu tirar Lou da inércia em que ela se encontrava.

A narrativa e o enredo foram os outros pontos negativos. Como falei logo no início, a história tinha um ritmo muito lento e durante boa parte da leitura fiquei tentando entender qual era a intenção da autora e para onde ela estava querendo ir e levar Lou. As páginas iam passando e nada acontecia, era só aquele marasmo do dia a dia mesmo. As coisas só começaram a ficar um pouquinho interessantes quase no final e aí o livro terminou.

Apesar de todas essas críticas a história não teve apenas pontos negativos. Foi muito interessante ver a recuperação gradual de Lou depois da morte de Will. Seria artificial demais se ela ficasse bem logo nas primeiras páginas, não seria nada condizente com a relação que eles tiveram. Aos poucos e com a ajuda de algumas pessoas e um grupo de apoio muito especial ela foi deixando a culpa de lado e recuperando a vontade de viver.

E como não podia faltar o amor surgiu na vida dela novamente. Foi algo doce, romântico, intenso e verdadeiro. Na minha opinião foi sem sombra de dúvida a melhor parte do livro, apesar de ter tido pouco espaço na história.

Depois de Você foi minha primeira decepção de 2016 e apesar de decidir dar três estrelinhas para o livro (mais por uma questão emocional do que por ele realmente merecer) continuo achando a sua existência desnecessária. Entretanto existem inúmeras resenhas por aí elogiando-o. Meu conselho é: vá sem nenhuma expectativa, esqueça boa parte dos sentimentos que Como Eu Era Antes de Você trouxe em suas páginas e tente aproveitar a nova vida de Lou.

 
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