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Gente Ansiosa - Fredrik Backman

Título Original: Anxious People
Autor (a): Fredrik Backman
Data de Publicação: 2021
Número de Páginas: 340
Editora: Rocco
Classificação: 



A busca por um apartamento não costuma ser uma situação de vida ou morte, mas uma visita imobiliária toma tais dimensões quando um fracassado assaltante de banco invade o apartamento e faz de reféns um grupo de desconhecidos.
O grupo inclui um casal recém-aposentado que procura sem parar, casas para reformar, evitando a verdade dolorosa de que não é possível reformar o casamento. Há um diretor de banco rico, ocupado demais para se preocupar com outras pessoas, e um casal que, prestes a ter o primeiro filho, não concorda sobre nada. Acrescenta-se uma mulher de 87 anos que já viveu demais para temer uma ameaça à mão armada, um corretor imobiliário assustado, mas ainda disposto a vender, e um homem misterioso que se trancou no único banheiro do apartamento, e assim completamos o pior grupo de reféns do mundo.
Cada personagem carrega uma vida de reclamações, mágoas, segredos e paixões prestes a transbordar. Ninguém é exatamente o que parece. E todos — inclusive o ladrão — estão desesperados por algum tipo de resgate. Conforme as autoridades e a imprensa cercam o prédio, os aliados relutantes revelam verdades surpreendentes e desencadeiam eventos tão inusitados que nem eles próprios são capazes de explicar.

Esse livro é uma das sensações do momento por aqui. Na verdade é uma sensação desde que foi lançado lá fora. Já li um outro livro do autor e amei, então qual era a chance de ler esse, que é um sucesso, e não gostar tanto?? Grande. Surpreendentemente grande.

Eu me pergunto se o problema foi a expectativa. Da história eu sabia pouco, quase nada. Um assalto que deu errado. Era isso. Ahh, e a capa. A capa me fazia pensar que no meio ia ter um romance.

Estava empolgada com a mente aberta. As primeiras páginas passaram e eu não fui fisgada, mas persisti. Vai que o problema entre nós fosse uma questão de adaptação porque a narrativa era diferente e eu demorei a me acostumar ou porque eram muitos personagens e alguns eram insuportáveis.

Então eu parei a leitura. Pensei em abandonar. Não estava funcionando. A história não me empolgava. Os personagens me irritavam. Mas uma voizinha na minha cabeça ficava repetindo: "Tenta de novo! Vai! Dá mais uma chance". E eu voltei. Na verdade eu recomecei. Como havia lido quase 19% na primeira tentativa, então muito coisa que no começo da leitura era confusa passou a fazer sentido. Recomecei entendendo melhor o começo e pensei: "Agora vai dar certo".

Não deu.

Fui atrás de resenhas positivas. Tentei enxergar o mesmo que as pessoas que gostaram enxergaram. Minha opinião continua a mesma.

É um livro com uma narrativa diferente, não linear e com muitos personagens. A gente demora um pouco a se acostumar, mas depois pega o jeito.

A história é sobre cada um desses personagens que estavam envolvidos direta e indiretamente no assalto. E a cada página vamos conhecendo suas vidas (o antes e o agora), seus dramas e acompanhamos também as relações que vão se desenrolando.

Ao logo da leitura temos alguns pequenos plot twits e depois de 50% temos um grande, um que me deixou completamente desnorteada. Algo do tipo "essa bicicleta - que eu passei o livro todo descrevendo como uma bicicleta, que as pessoas passearam nela e sabiam que era uma bicicleta - é na verdade uma nave espacial". Eu me senti enganada sem motivo. Até voltei algumas páginas para ter certeza que não tinha deixado passar as informações, mas "a bicicleta descrita como bicicleta" estava lá. O autor não deu nenhuma explicação. O maior plot do livro e ele soltou a verdade e seguiu em frente. Não encontrei outras resenhas reclamando desse fato, só achando que foi um grande momento. Eu fiquei incomodada e passei o resto da leitura esperando por respostas.

Outra coisa que me incomodou foi a quantidade enorme de frases filosóficas e parágrafos de autoajuda que o autor colocou no meio da narrativa. No começo até foi interessante e eu marquei algumas coisas, depois se tornou chato.

Sobre os personagens, alguns foram legais, outros se mostraram legais ao logo da narrativa e tiveram aqueles que conseguiram ser insuportáveis do início ao fim. As 'entrevistas' que a polícia tentou realizar com as testemunhas foram enlouquecedoras. Não foi crível que todas aquelas pessoas trataram a polícia de forma grosseira e impertinente e simplesmente não responderam por isso.

Então eu achei tudo ruim?

Não. A história de um determinado casal é muito bacana, a forma como a vida de alguns personagens se conectam também, alguns momentos foram fofos e certas reflexões sobre a natureza humana, o mundo moderno e as ansiedades que ele provoca, o sistema capitalista e a sociedade foram interessantes. Mas só. Não ri, não chorei e não senti profundidade. Do começo ao fim foi apenas uma leitura com o objetivo de cumprir uma meta. Em nenhum momento eu peguei o livro para ler por curiosidade de saber como as coisas se desenrolariam.

Embora eu não tenha gostado tanto quanto esperava, eu sei que muitas pessoas colocarão esse livro em suas estantes de favoritos. Muitas já colocaram. Então se você gosta de livros peculiares, com uma narrativa diferente e que abordam as várias facetas da natureza humana, Gente Ansiosa pode ser para você.

Nuvens de Ketchup - Annabel Pitcher

Título Original: Ketchup Clouds
Autor (a): Annabel Pitcher
Data de Publicação: 2015
Número de Páginas:270
Editora: Rocco
Classificação:  + 0,5


A trama gira em torno da jovem Zoe, que narra, por meio de cartas enviadas a um prisioneiro condenado à morte, seu dia a dia com a família, seus envolvimentos românticos e um segredo sombrio que ela não tem coragem de contar a mais ninguém. As inúmeras dimensões dramáticas da jovem protagonista e a narrativa cativante mostram o desabrochar da juventude e percorrem temas como amor, culpa, luto, erros e acertos de forma sensível e bem-humorada.

Nuvens de Ketchup recebeu o prêmio Edgar Allan Poe de melhor romance juvenil e o prêmio Waterstones nas categorias geral e juvenil, mas não foram esses os motivos que me fizeram escolhê-lo entre os inúmeros livros da minha estante, a verdade é que fui atraída por seu título diferente e nada mais. Não vi a sinopse, tão pouco procurei por resenhas dele na blogosfera, logo, quando comecei a leitura não sabia o que esperar.

O livro é narrado em primeira pessoa por Zoe (esse talvez não seja seu nome verdadeiro), exceto o último capítulo, de duas formas: a narrativa comum retratando fatos do presente, e através de cartas, narrando fatos do passado, que eram enviadas a Stuart - a quem ela chamava carinhosamente de Stu - um homem que matou a esposa e estava esperando execução no Corredor da Morte. Logo no primeiro capítulo ficamos sabendo o motivo de Zoe mentir sobre seu verdadeiro nome, seu endereço e de ter escolhido Stu como seu confidente, ela escondia um segredo sombrio e terrível. As cartas eram como uma confissão e ela acreditava que Stu entenderia seus sentimentos e tudo pelo qual ela estava passando. 

Apesar de ficarmos sabendo qual é esse segredo logo de início, Zoe precisou de muitas cartas e um livro inteiro para contar como tudo aconteceu e isso me deixou um pouco em alguns momentos. Ela devaneava bastante enquanto escrevia, perdia a linha de raciocínio e tudo que eu queria é que ela fosse direto ao ponto e me contasse sua história. Quando isso realmente aconteceu e os detalhes do segredo começaram a vir à tona conhecemos uma garota egoísta, envolvida com dois garotos ao mesmo tempo, mesmo que ela estivesse apaixonada por apenas um deles.

O romance não me convenceu, pelo menos inicialmente. Achei tudo rápido e intenso demais, não existiam motivos para sentimentos tão profundos. Mas no decorrer da história muitas coisas aconteceram e a intensidade dos sentimentos começou a fazer um pouco de sentido. Mesmo ainda achando tudo muito atropelado acabei aceitando que entre ela e um dos garotos existia algo verdadeiro.

Não sabemos qual é exatamente a idade de Zoe, mas as entrelinhas deram a entender que ela teria entre 16 e 17 anos. Entretanto, a impressão que eu tive, pelo menos nas primeiras páginas, é que a narradora ainda era uma pré-adolescente com não mais do que 11 ou 12 anos. A "voz" de Zoe soava  jovem demais e por vezes imatura como uma criança e foi uma surpresa enorme descobrir logo mais a frente que ela já estava praticamente no final do ensino médio.

O livro também retratou outros aspectos da vida da protagonista. Além de ter que lidar com a culpa pelo que aconteceu, Zoe tinha problemas em casa. Uma de suas irmãs era surda e ainda estava aprendendo a conviver com isso, a outra inventava mentiras para chamar atenção. Seu pai havia perdido o emprego e sua mãe sempre provocava discussões. Todos os personagens, dos adultos as crianças, tinham vulnerabilidades, cometiam erros e tinham seus pontos fortes, eles eram humanos.

A narrativa de Annabel Pitcher é envolvente e consegue prender a atenção do leitor, mesmo que a história não seja exatamente o que você estava esperando e a protagonista não tenha te conquistado. A autora conseguiu me enganar direitinho várias vezes e mesmo sabendo de um modo geral o que havia acontecido, alguns desdobramentos me pegaram de surpresa.

Esse livro poderia ter sido muito mais do que foi, entretanto não dá para negar que em muitos momentos a dor, a angústia, a culpa e o sofrimento de Zoe me tocaram lá no fundo. A personagem amadureceu bastante no decorrer da história e eu acredito que mesmo com a consciência pesada e o coração machucado, ela conseguiu superar e seguir em frente.

Nuvens de Ketchup é uma história sobre o primeiro amor, perdão, conhecer a si mesmo e sobre recomeços. É um drama cheio de dores, mágoas e segredos que machucam, mas também é sobre esperança e novas chances.

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky

Título Original:  The Perks of Being a Wallflower
Data de Publicação: 2012
Número de Páginas: 223
Editora: Rocco
Classificação:



Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.

Com ótimas indicações e uma história que prometia mudar a minha vida comecei a ler As Vantagens de Ser Invisível com a certeza de que encontraria mais um livro para o roll dos favoritos. Mas a verdade é que até agora eu estou tentando encontrar a grande "coisa" que todas as pessoas que o encheram de elogios e o elevaram a uma média 4.6 no Skoob, encontraram.

As Vantagens de Ser Invisivel é um livro complicado de ser avaliado, pelo menos na minha opinião. Cada pessoa vê um livro de uma forma diferente, talvez seja igual em alguns aspectos, mas sempre irão divergir em algo. Eu divergi em muitas coisas com a maioria dos leitores e uma leitura que prometia muito foi uma completa decepção.

O livro é narrado através de cartas escritas por Charlie a um destinatário desconhecido. A forma como as cartas são escritas mostram muito do seu remetente, não apenas pelas coisas que ele narra sobre a sua vida, mas pela forma como ele escreve. No início as cartas são curtas e um pouco confusas, dá para sentir o quanto o garoto ainda está pouco a vontade. No decorrer da história as cartas se tornam maiores, mais detalhadas, mas continuam um pouco confusas. Ele mistura várias informações, deixa pistas sobre um determinado ocorrido em uma carta mas só revela a história toda algumas cartas mais a frente,isso quando revela.

Charlie é um garoto complicado de se definir. Inicialmente ele parece ser extremamente ingênuo de um jeito que beira a irrealidade. Por muitas vezes senti como se as cartas fossem escritas por uma criança de no máximo 10 anos. Ele chora com muita facilidade, se conforma com todas as situções, nunca fala o que pensa e suporta as ofensas de uma forma tão inocente que chega a ser irritante. No final do livro alguns fatos sobre a sua vida são revelados e se mostram como a provável causa de suas atitudes, mas ainda assim Charlie continuou sendo um personagem nada cativante e sua história de vida apesar de forte e permeada por acontecimentos marcantes não causaram nada em mim.

O livro é cheio de assuntos polêmicos como bullying, drogas, violência contra a mulher, entre outros. Provavelmente a intenção do autor foi tratar desses assuntos de forma uma pouco mais "leve", menos dramática, mas não era isso que eu estava esperando e tenho quase certeza que essa falta de emoções fortes foi o que faltou para me envolver.

Não tenho dificuldade de avaliar os livros que eu leio, geralmente assim que termino a leitura já sei que nota irei dar. Com As Vantagen de Ser Invísível foi um pouco diferente. O livro não me agradou em quase nada começando pelo protagonista o que é um ponto negativo bem forte, fora todos os pontos que eu citei antes. O livro é pequeno e mesmo assim demorei mais do que o normal para terminar, não tinha vontade de voltar para a história. Por todas essas razões ele é sem dúvida um livro duas estrelas. MAS algo dentro de mim me diz que eu não soube enxergar as verdadeiras lições que o livro tinha a oferecer, eu senti o potencial, mas ele não se desenvolveu e é por isso que vocês leiam e formem suas opiniões.

Estou ansiosa pelo filme, algo me diz que irei gostar muito mais da adaptação do que do livro. Se mesmo assim as minhas opiniões não mudarem (pelo que eu soube o filme é bastante fiel) é porque esse livro não era pra mim.

Talvez a expectativa tenha atrapalhado mais uma vez e eu não tenha conseguido aproveitar o que ele tinha a me oferecer. Talvez ter começado ele logo depois de terminar Belo Desastre não tenha sido uma boa ideia. Mas o que eu acho de verdade é que ele prometeu muito e não cumpriu quase nada. Sabem aquele livro de Shakespeare "Muito Barulho Por Nada"? é exatamente isso que eu penso sobre ele. Mas eu sou minoria e talvez você não deva levar apenas a minha opinião a sério. Arrisque, tente. Tenho quase certeza que você vai encontrar nele o que eu não consegui enxergar.

Encantos de Jardim - Sarah Addison Allen

Título Original: Garden Spells
Data de Publicação: 2008
Número de Páginas: 238
Editora: Rocco
Classificação: 





Embora as mulheres da família Waverley não sejam feiticeiras, todos na diminuta cidade de Bascom sabem que há algo misterioso nelas. A avó de Claire criava iguarias únicas com flores comestíveis para resolver os problemas das pessoas e sua idosa prima Evanelle tem mania de enviar presentes inesperados exatamente quando as pessoas mais precisam deles.
Quando Sydney, irmã de Claire, volta a Bascom após anos de ausência, traz junto sua filha Bay e a capacidade de unir essa família pouco convencional.

Livros sobrenaturais são a grande sensação do momento (não posso esquecer dos livros eróticos). Vampiros, bruxas, fadas, dragões, sereias, anjos, lobisomens e uma infinidade de outros seres (alguns que eu nunca tinha ouvido falar como o súcubo) são os personagens principais dos livros de maior sucesso atualmente. O seres mudam mas a ideia geral é quase sempre a mesma, um casal adolescente que por alguma razão não pode ficar junto, batalhas do bem contra o mal ou entre seres ou qualquer outro tipo de dificuldade que dê bastante agilidade a história. Além disso um livro só nunca é suficiente, começa com uma trilogia e termina em uma série com infinitos livros.

Nada contra os livros desse gênero, mas eles estão se tornando meio cansativos e as garotas são sempre tão irritantes, por isso quando comecei a ler Encantos de Jardim e percebi que a história tinha um pouco de magia e fantasia me preparei para mais uma decepção ou mais um livro legalzinho e dentro da média, mas me surpreendi com uma história mágica, em todos os sentidos, que me envolveu e me deixou encantada.

Encantos de Jardim de Sarah Addison é um romance com uma pitada sobrenatural, mas é algo tão sutil e delicado que quase passa despercebido. É uma mistura de realidade e magia, apresentados de uma forma simples onde o real e o fantástico se misturam perfeitamente. Tudo parece normal até que algo aparece em uma frase e você percebe que a magia está acontecendo, mas é algo muito natural. Não é algo como bruxas que usam livros milenares para fazer poções e feitiços.

A magia faz parte do livro, ela está na macieira que revela o futuro a quem come dos seus frutos, na mistura de flores e ervas que despertam os mais variados sentimentos nas pessoas e na aurea de poder que emana das irmãs Waverly, mas a magia não é o foco principal. Encantos de Jardim é sobre amor, ciúmes, mágoas, relações familiares e principalmente perdão.

Clare sempre viveu em Bascom e se sente feliz por cuidar do jardim mágico que floresce o ano inteiro, morando na antiga cada deixada por sua avó. Por outro lado sua irmã Sidney deixou a cidade após o ensino médio, fugindo da responsabilidade que o nome Waverly trás. As duas irmãs nunca se deram bem mas Sidney volta a cidade trazendo junto sua filha Bay. É principalmente nesse relacionamento difícil que a história se concentra. Sidney tem vergonha de ser quem é, enquanto Clare tem orgulho disso. Entre desentendimentos e segredos que vão sendo revelados aos poucos, as duas vão curando as feridas deixadas pelo passado.

O livro também é sobre a cidade e seus moradores. Bascom é um lugar cheio de magia e cada família está ligada a um dom especial e todo mundo convive com isso como algo muito natural. É como se os dons mágicos fosse como ser muito bom em algo no nosso mundo real. Evanelle, prima distante das garotas Waverly, tem um dos dons mais interessantes do livro, ela costuma dar objetos aleatórios as pessoas mas não sabe dizer quando e nem em que situação o objeto será usado. O legal é que são coisas simples e que parecem sem valor algum, mas que depois se mostram de extrema importância.

Os romances também tem lugar nessa história incrível. Clare conhece Tyler professor da universidade local e sinceramente nunca vi ninguém tão paciente. Enquanto Clare resistia ele esperava calmamente, sem pressionar, que ela percebesse que existia algo muito forte entre eles.

Encantos de Jardim é um conto de fadas envolvente, inspirador e romântico. É uma história com personagens fortes e um enredo denso e cheio de emoções. Terminei a leitura desejando poder entrar no jardim mágico e provar as deliciosas e improváveis receitas de Clare.

A Esperança - Suzanne Collins (The Hunger Games #3)

Título Original: Mockingjay
Data de Publicação: 2011
Número de Páginas: 421
Editora: Rocco
Série: The Hunger Games #3
Classificação:




Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução.
A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.
O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?
Acompanhe Katniss até o fim do thriller, numa jornada ao lado mais obscuro da alma humana, em uma luta contra a opressão e a favor da esperança.

Sabe quando você gosta de um livro, mas alguma coisa nele te incomoda a ponto de você não gostar tanto assim? Eu sei, essa pergunta parece meio confusa mas é exatamente assim que eu me sinto com A Esperança.
Demorei muito tempo pra começar a lê-lo mesmo tendo ele aqui na estante, queria ter certeza que estava pronta para colocar um ponto final na história e dar adeus ao mundo criado pela Suzanne.

Comecei o livro cheia de expectativas, não tinha como ser diferente afinal eu amei Em Chamas, mas no fundo eu sabia que A Esperança não podia ser melhor e talvez nem conseguisse ser tão bom quanto, mesmo assim não posso dizer que não me decepcionei, principalmente com o final.

A Esperança é um livro cheio de momentos tensos, onde a expectativa pelo que vai acontecer domina as páginas e contagia o leitor, mas é também cheio de tristeza, muita tristeza. Em algumas partes da leitura era quase possível sentir a dor que cada um estava vivendo, principalmente Katniss. Enquanto acompanhava toda aquela destruição, todas as perdas, eu me perguntava "Será que todo esse sofrimento nunca vai acabar?". E quando eu acreditava que as coisas não podiam piorar algo ainda mais doloroso acontecia.

O enredo de A Esperança é mais lento do que os dois livros anteriores. Demorei bastante para ser envolvida pela história, mas quando as coisas realmente começam a acontecer, é impossível conseguir largar, tudo que você quer é saber o que acontecerá no final.
Esse terceiro livro tem como foco a guerra entre a Capital e os distritos, a luta para vencer um ditador opressivo. É um livro mais adulto com uma narrativa que concentra-se mais na política do que na ação e aventura e que nos mostra as realidades e injustiças da guerra. Uma guerra em que ninguém é vencedor e todo mundo sofre.

Katniss a heroína que sempre foi tão forte, impetuosa e com uma coragem sem fim, mostra uma fragilidade a qual não estamos acostumados. A mudança de Peeta, o lado sangrento e vingativo de Gale e a perda de alguém muito próximo a transforma em alguém completamente perdido e incapaz de perdoar. E eu não a culpo. Mesmo passando por situações tão difíceis e estando no seu limite, ela precisou continuar lutando, tomando decisões e protegendo as pessoas que amava.

Neste livro cada personagem é empurrado ao seu limite, Gale, Peeta, Katniss. Aconteceram muitas coisas que eu não esperava e até mesmo que não me agradaram, como por exemplo a mudança na personalidade de Gale. O amigo sempre fiel, doce, paciente e dedicado se transformou em um rapaz vingativo, cheio de ódio e que pouco se importava em prejudicar pessoas inocentes que ficavam no seu caminho na tentativa de derrubar a Capital.

Com relação ao triângulo amoroso Peeta-Katniss-Gale eu nunca considerei que esse fosse o ponto principal da história. O romance existe sim, mas não é nada fofinho, bonitinho, doce e lindo; é uma situação tão complexa, tão cheia de dificuldades e dúvidas que se tornou um grande drama com um desfecho decepcionante e muito triste. Até agora eu me pergunto se Katniss teve mesmo o direito de escolher ou se foi a única solução.

O final foi sem dúvida a parte mais decepcionante do livro. Depois de virar a última página, fiquei me sentindo vazia e só conseguia pensar "Por que Suzanne, por quê???"
Como ela pode ter escrito um final daquele? Foi insatisfatório e me deixou cheia de perguntas. Eu senti tanta raiva que tive vontade de jogar o livro na parede.
Talvez alguns achem que o final foi bonitinho e tudo mais, mas vocês não percebem a ironia daquela situação??? Ninguém pode ser "feliz para sempre", não depois de todas as coisas pelas quais passou, as lembranças sempre voltarão para atormentar, é apenas uma falsa sensação de que está tudo bem.

Em Chamas - Suzanne Collins (The Hunger Games #2)

Título Original: Catching Fire
Data de Publicação: 2011
Número de Páginas: 416
Série: The Hunger Games #2
Editora: Rocco
Classificação:







Depois de ganhar os Jogos Vorazes, competição entre jovens transmitida ao vivo para todos os distritos de Panem, Katniss agora terá que enfrentar a represália da Capital e decidir que caminho tomar quando descobre que suas atitudes nos jogos incitaram rebeliões em alguns distritos. Dessa vez, além de lutar por sua própria vida, terá que proteger seus amigos e familiares e, talvez, todo o povo de Panem.


A resenha pode conter spoiler para quem não leu Jogos Vorazes.

No primeiro livro da Trilogia Jogos Vorazes, somos apresentado a um jogo, uma espécie de reality show, com 24 participantes, onde apenas um pode vencer. Mas Katniss Everdeen desafiou essa regra, voltou para seu distrito como vencedora e levou consigo Peeta Mellark, seu companheiro de distrito e oponente no jogo. Eles desafiaram a Capital, agora a Capital quer vingança.

Se você acha que já sofreu o bastante no primeiro livro, que já viu de tudo em termos de violência, frieza, maldade, crueldade e dor, está completamente enganado. Se você acha que está preparado para o que está por vir, te aviso que nada do que você viu em Jogos Vorazes, te preparará para as fortes emoções, aventuras, perigos e muitas, muitas reviravoltas que estão contidas nesse segundo livro.
Em Chamas a continuação da Trilogia Jogos Vorazes é ainda mais cruel, mais emocionante, mais doloroso e muito mais surpreendente. Os Jogos Vorazes Continuam!

E esse ano eu terei de viajar de distrito em distrito para aparecer diante das multidões entusiasmadas, que secretamente me odeiam, para olhar bem nos rostos dos familiares cujos filhos eu matei…
Katniss Everdeen

Terminei a leitura de Em Chamas com o coração na mão e com muito medo. Medo por Peeta e Katniss, medo por todos os distritos e seus moradores indefesos e principalmente medo do que está por vir em A esperança, medo que Suzanne Collins não consiga dar um final digno e justo a essa história que emocionou, chocou e surpreendeu muitos leitores.

O primeiro livro da trilogia é muito bom, mas preciso dizer que eu ainda não tinha sido fisgada e que ainda não tinha entendido o porque de tanto alvoroço em torno de uma trilogia. É uma história forte, diferente, dolorosa e muito cruel, mesmo assim eu ainda não tinha sido cativada completamente. Em Chamas foi decisivo para isso. Há muito tempo um livro não me deixava tão ansiosa, nervosa e completamente sem fôlego. O final de cada capítulo reserva uma surpresa que te deixa tão chocado e ansioso que você vai querer ir para o capítulo seguinte na mesma hora, mesmo que há algum tempo atrás você tenha dito para si mesma que leria só mais aquele.

Surpreendente, essa é sem dúvida a palavra que eu usaria para definir Em Chamas. As coisas vão acontencendo de uma forma que no início você não entende bem o porque, coisas estranhas às vezes e que parecem sem explicação. Mas está tudo lá, é tudo tão lógico. Agente até tenta imaginar o que está acontecendo, algumas coisas dá para entender, outras parecem ficar no ar. Ficamos na expectativa e vamos nos surpreendendo capítulo após capítulo, até que tudo começa a se encaixar, tudo começa a fazer sentido.

Katniss está ainda mais forte e mais madura, os jogos foram responsáveis por transformar seu sonhos em pesadalos. No início parece certo e definitivo que o seu coração pertence a Gale e tudo que aconteceu entre ela e Peeta durante os jogos foi só uma farsa para enganar a Capital. Mas com o tempo Katniss percebe que ela é quem está se enganando, seu amor por Gale não é mais tão definitivo, Peeta ocupou um lugar em seu coração bem maior do que ela imaginava.

- Você podia viver cem vidas e ainda assim não merecer aquele cara, sabia? – Diz Haymitch.


Peeta está ainda mais apaixonado, mais fofo, mais corajoso e totalmente decidido a dar sua vida para salvar Katniss. Continuo team Peeta, na verdade acho que estou ainda mais encantada por ele.

Se você morrer, e eu continuar vivo, acaba a vida para mim no Distrito 12. Você é toda a minha vida – diz ele. – Eu nunca mais seria feliz.
Peeta Mellark


Os personagens secundários são secundários apenas no nome. Todos eles tem um papel crucial no desenrolar da história, principalmente Haymitch. Alguns secundário novos tem uma maior participação, outros nem tanto, mas todos são extremamente importantes, principalmente os que estão nos jogos.

Em Chamas é misterioso, envolvente, contagiante e arrebatador. Ao mesmo tempo que eu desejava que todo aquele sofrimento, angústia e principalmente a dúvida chegasse logo ao fim, também desejava que a história se prolongasse por páginas e páginas.

Leiam. Se apaixonem. Se surpreendam. Se emocionem.
Os Jogos Vorazes Continuam!


Jogos Vorazes - Suzanne Collins (The Hunger Games #1)


Título Original: The Hunger Games
Data de publicação: 2010
Número de páginas: 400
Série: The Hunger Games #1
Editora: Rocco

Katniss escuta os tiros de canhão enquanto raspa o sangue do garoto do distrito 9. Na abertura dos Jogos Vorazes, a organização não recolhe os corpos dos combatentes caídos e dá tiros de canhão até o final. Cada tiro, um morto. Onze tiros no primeiro dia. Treze jovens restaram, entre eles, Katniss. Para quem os tiros de canhão serão no dia seguinte?... Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?


Expectativa, ansiedade, receio, todos esse sentimentos povoavam a minha mente enquanto eu começava a ler Jogos Vorazes. É difícil acreditar que sua opinião não será influenciada quando a maioria das resenhas na blogosfera são só elogios e vários leitores incluiram o livro na lista de favoritos. Mas ai eu lembrei que não sou uma pessoa facilmente influenciável levando-se em consideração que enquanto vários leitores estavam amando e recomendando Cidade dos Ossos e as garotas se tornando team Jace, eu estava lutando contra o sono para terminar esse livro que foi um tédio só. Portanto, depois dessa análise, percebi que a minha opinião em relação a Jogos Vorazes é completamente livre de influências de terceiros.

Feliz Jogos Vorazes! E que a sorte esteja sempre ao seu favor!

Jogos Vorazes é espetacular, incrível, viciante, extasiante e completamente diferente de qualquer outro livro que eu já tenha lido.
O mundo cruel, frio, vingativo, dominador e sanguinolento criado por Suzanne Collins me deixou vidrada sem querer largar o livro para nada.
Panem e os 12 distritos, as leis rígidas, o controle do governo, a fome, as dificuldades e os Jogos Vorazes são uma realidade muito plausível, é algo que realmente pode acontecer, se é que já não acontece em alguns países. Talvez por isso o livro seja tão impactante, impressionante e fantástico, o que as pessoas vivem no Distrito 12, por exemplo, é algo dolorosamente real.

Além dessa realidade que nos prende a leitura, o que me deixou também muito impressionada é a forma como eu consegui sentir tudo que os personagens estavam vivendo. Durante os dois dias em que fique completamente presa a leitura, eu vivi na arena, passando fome e sede, senti frio, provei amoras e coelhos, cacei junto com Katniss, dormi em cima das árvores e lutei para sobreviver.

O livro é todo narrado em 1ª pessoa e sem dúvida alguma a história ficaria ainda melhor (se isso for possível) se pudessemos saber o que se passava na cabeça de cada um dos personagens, ou pelo menos na dos mais importantes.

Katniss é incrível e se tornou uma das minhas personagens favoritas. Ela tem 16 anos mas já passou por experiências muito difíceis que a fizeram amadurecer muito rápido e se tornar diferente das garotas de sua idade. Depois de perder o pai durante uma explosão na mina onde ele trabalhava, Katniss assumiu a responsabilidade de cuidar da família. A mãe que se isolou na tristeza e a irmã ainda pequena dependiam dela para sobreviver e mesmo sendo muito nova para assumir tantas responsabilidades, ela foi forte e decidida e nunca desistiu de lutar.

Peeta é o garoto mais fofo, do mais fofo, do mais fofo! Gente ele é muito FOFO!hehehehe. Sério, eu não consigo definir ele de outra forma. Ele não é o mais lindo (mas é gatinho), nem o garoto com as melhores habilidades (mas consegue levantar alguns sacos de farinha), não é um bad boy que conquista as garotas pelo seu jeito misterioso e sexy. Ele é simplesmente o garoto do pão, gentil, com um ótimo senso de humor e que ajudou a Katniss em um dos momentos mais difíceis da vida dela, e agora eles estão juntos de novo e precisam lutar um contra o outro para sobreviver. Mas alguém ai acredita que ele vai deixar de ser O Peeta até nesse momento tão importante e decisivo??? Além disso ele gosta da Katniss, de verdade e os dois juntos formam um casal tão perfeitinho. Mas não esperem por romance, porque o foco da história não é esse.
Podemos até vislumbrar alguns sentimentos surgindo e outros se fortalecendo, mas nos Jogos Vorazes não existe tempo ou chance para sentimentalismos, afinal qualquer distração pode custar sua vida.

Jogos Vorazes é o primeiro livro de uma série que começou de forma incrível e que promete ser inesquecível. Quando você terminar a última página vai perceber que precisa começar a ler Em Chamas urgentemente. Eu tenho o segundo livro da série, mas a única razão para ainda não ter começado a leitura é saber que mais do que vontade em ler a continuação de Jogos Vorazes, eu vou enlouquecer para ler o último livro da trilogia, A Esperança. Por isso resolvi esperar só mais um pouquinho, a Rocco anunciou que o terceiro livro tem previsão de lançamento para agosto/setembro.

Leiam Jogos Vorazes! Com muitas ou poucas expectativas você dificilmente irá se arrepender.



Que os Jogos Vorazes comecem!
Avaliação (1 a 5):

O Oposto do Amor - Julie Buxbaum

Título Original: The Opposite of Love
Data de publicação: 2008
Número de páginas: 278
Editora: Rocco
Classificação:


Aos 29 anos, Emily Haxby mora sozinha em Manhattan, trabalha em um grande escritório de advocacia, tem bons amigos e um namorado apaixonado. Mas, ainda assim, ela se sente vazia por dentro. O que poderia faltar em uma vida aparentemente tão boa? Em O oposto do amor, Julie Buxbaum estréia na literatura mostrando uma personagem que luta para aprender a lidar com as próprias emoções e precisa desvendar a si mesma antes de encarar o mundo.
Ao desconfiar que Andrew, um médico com quem namora há dois anos, vai pedi-la em casamento, Emily toma uma decisão surpreendente: termina o relacionamento, sem conseguir encontrar uma justificativa plausível para tal atitude. Mergulhada no trabalho, a advogada não tem tempo para refletir sobre o assunto ? passa 20 horas por dia no escritório, envolvida em uma causa que vai contra seus princípios e a faz lidar com um chefe que insiste em assediá-la.
Quando descobre que seu avô ? uma das pessoas que mais ama e sempre esteve presente para apoiá-la ? sofre de Alzheimer, a protagonista é forçada a encarar seus fantasmas. A ausência da mãe, que morreu de câncer quando Emily tinha 14 anos, e a distância existente entre a jovem e seu pai, um político bastante ocupado, incomodam como nunca. No meio desse turbilhão emocional, ela se dá conta de que realmente ama Andrew.
Com o passar do tempo, Emily reflete sobre as escolhas feitas até então e resolve dar um novo rumo à sua vida. Para começar, a personagem procura reatar seu namoro. Diante da resistência de Andrew, ela conclui que o oposto do amor não é o ódio, e sim a indiferença. Seria tarde demais para eles?
Ao longo das páginas, Julie Buxbaum brinda os leitores com uma narrativa sobre amor, perda e a capacidade de se reerguer diante das adversidades, enfrentando os próprios medos. Apesar de ser uma obra de ficção, O oposto do amor mostra como as verdadeiras mudanças na vida de alguém se realizam de dentro para fora. Nesse processo, saber lidar com os sentimentos é fundamental.


As pessoas gostam de dizer que o oposto ao amor não é o ódio, mas indiferença. Tende a haver uma reverência sussurrada ao redor da expressão, como se tivesse poderes curativos mágicos. Melhor ser odiada do que ignorada por aquele seu ex; melhor ser odiada do que ignorada, de maneira geral.
Do contrário, você pode passar a vida olhando para o oposto do amor.
P.119
O Oposto do Amor, romance de estréia da autora Julie Buxbaum, é um livro pequeno mas que reserva fortes emoções e guarda sentimentos intensos, confusos e mal resolvidos em suas páginas.

Dúvidas, medo, amor, sofrimento, perda, solidão, são emoções que fazem parte da vida de Emily, mas que são muito bem guardadas sob uma fachada incrível de auto-controle que não permite a ela viver e demonstrar o que realmente sente.
Mas tudo desmorona depois do seu namorado Andrew quase a pedir em casamento. Emily sente que não está pronta para se entregar completamente e em um momento de medo resolve jogar tudo para o alto e terminar o namoro.
Mas casar? Com Andrew? Até que a morte nos separe? Não posso fazer isso. Eu não seria nada além de uma fraude, fingindo ser adulta, uma farsante interpretando o papel de noiva. Nem eu mesma quero passar o resto de minha vida comigo. Como é que Andrew pode querer? E como você explica a alguém que ama que não pode se dar a ele, porque, se o fizesse, não teria certeza de quem estaria dando? Que você não tem certeza nem do quanto valem as suas palavras? Você não pode dizer isso a alguém, principalmente alguém que você ama. Portanto, eu não digo.
P.16
Depois disso as coisas só parecem piorar em sua vida, ela tem que enfrentar a grave doença que está levando seu querido avô embora lentamente, e o seu trabalho que antes parecia perfeito parece o pior lugar do mundo com as piores pessoas completando o quadro.
A partir daí vemos uma nova Emily surgir, tentando lutar para sobreviver em meio a tanta coisa ruim acontecendo, aprendendo a conviver com sentimentos que pareciam bem guardados e medos e sofrimentos que pareciam bem resolvidos.

O Oposto do Amor é doce, charmoso, engraçado, delicado e profundo de forma tão simples e inteligente que no início acreditei ser mais um chick-lit que depois de lido ficaria esquecido na estante e na minha mente. Mas as palavras da Julie e a forma graciosa, comovente e real com que ela contou a vida e retratou os sentimentos e dúvidas da Emily, mexeram comigo porque em muitos aspectos eu sou como ela, aliás fui, acho que mudei e muito.
Já fui insegura, já tive medo de amar e depois perder, já preferi guardar meus sentimentos para evitar que alguém pudesse usar isso contra mim algum dia, já guardei rancores de sofrimentos do passado.., mas assim como ela eu consegui encontrar o meu caminho em meio a alguns erros, afinal não dá para amar pela metade, não dá para viver em um relacionamento onde o amor é uma via de mão única, nenhum sentimento por mais profundo que seja sobrevive a isso por muito tempo e pricipalmente aprendi a deixar as decepções, raivas e dores do passado para trás, simplesmente superei.

O livro é muito bem escrito e te leva para viver junto com a Emily todos os conflitos pelos quais ela está passando. Enquanto eu estava lendo as suas emoções eram minhas também. Eu ri quando ela riu, senti raiva quando ela sentiu, fiquei triste quando ela chorou. É incrível a forma como nós somos arrastados para dentro do livro e para a vida dela.

Para mim O Oposto do Amor não é um chick-lit típico porque fala sobre amor, mas não somente aquele que existe entre homens e mulheres. Em vez disso encontramos o amor de pai, amor de avô, amor de mãe, amor de amigo e de namorado. Alguns dele incondicionais, outros voláteis, mas todos com uma importância única e especial em nossas vidas.
Você jamais conhecerá a pessoa que um dia eu fui, aquela que existiu antes de você, de algumas formas, antes mesmo que eu fosse eu. Mas esta história de quem eu me tornei, esta história sobre nós, é seu legado, tanto quanto meu.

E agora que seu retrato está na geladeira, agora que eu posso interpretar meu papel de boneca russa, agora que não haverá mais vida para mim num mundo sem você, eu lhe passo tudo que posso preservar: esta história de como nos tornamos uma família — seu pai e eu, Ruth e vovô Jack, meu próprio pai, que também está acordado agora, ocupado na montagem do berço com babados cor-de-rosa. Esta história é a linha divisória onde vivo e a qual adoro, e deixo de herança, aquela que está entre a lembrança e o esquecimento, o compromisso e a libertação, ser deixada e deixar para trás.

A linha, sempre a linha, a mesma linha que me separa de minha mãe. A mesma linha que me separa de você.
Trecho da carta de Emily para sua filha Charlotte
 
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