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Cadê Você Bernadette? Maria Semple

Título Original: Where'd You Go, Bernadette?
Autor (a): Maria Semple
Data de Publicação: 2013 
Número de Páginas: 376
Editora: Companhia das Letras
Classificação: + 0,5

Bernadette Fox é notável. Aos olhos de seu marido, guru tecnológico da Microsoft e rock star do mundo nerd, ela se torna mais maníaca a cada dia; para as demais mães da Galer Street, escola liberal frequentada pela elite de Seattle, ela só causa desgosto; os especialistas em design ainda a consideram uma gênia da arquitetura sustentável, e Bee, sua filha de quinze anos, acha que tem a melhor mãe do mundo. Até que Bernadette desaparece do mapa. Tudo começa quando Bee mostra seu boletim (impecável) e reivindica a prometida recompensa: uma viagem de família à Antártida. Mas Bernadette tem tal ojeriza a Seattle - e às pessoas em geral - que evita ao máximo sair de casa, e contratou uma assistente virtual na Índia para realizar suas tarefas mais básicas. Uma viagem ao extremo sul do planeta é uma perspectiva um tanto problemática. Para encontrar sua mãe, Bee compila e-mails, documentos oficiais e correspondências secretas, buscando entender quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem e o motivo de seu desaparecimento. Maria Semple revela, em seu segundo romance, a influência de grandes escritores contemporâneos como Jonathan Franzen e Jeffrey Eugenides, ao mesmo tempo que se afirma como uma voz original, marcada pelo melhor humor das séries de TV norte-americanas. Sem sentimentalismos, mas com muita empatia, Cadê você, Bernadette? trata do amor incondicional de uma filha por sua mãe imperfeita.

Lembro que na escola algumas professoras costumavam dizer que começamos uma prova com a nota máxima e de acordo com os erros ou acertos das questões perdemos ou mantemos os pontos. Quando comecei a ler Cadê Você Bernadette? já considerava o livro como favorito, tudo isso porque tanto na blogosfera, quanto no Skoob ou Goodreads, ele é bastante elogiado. No decorrer da leitura a história foi perdendo pontos comigo e só persisti na leitura porque tinha esperança de que o final poderia salvar tudo.

Em primeiro lugar esse livro não é sobre o desaparecimento de Bernadette, é claro que em algum momento ela sai de cena, mas o foco da história não é esse. Na verdade quando terminei Cadê Você Bernadette? não consegui visualizar qual era a intenção do livro. Ele não é um drama; não é uma comédia; poderia ser um chick-lit, mas não tem a maioria das características do gênero; não é um romance e muito menos um sobrenatural, rs. 

Depois de muito pensar, e por essa razão optei por não fazer a resenha assim que terminei, cheguei a conclusão que a autora de uma forma bastante peculiar, através de um humor irônico e por vezes sarcástico, situações absurdas e utilizando como personagem central a complexa e inteligente Bernadette, criou uma história simples e inusitada sobre laços familiares e relações sociais.

A narrativa foi um dos principais pontos negativos do livro. Os recursos utilizados pela autora (cartas, e-mails, transcrição de gravações, bilhetes) para mostrar os diversos pontos de vista sobre a história, me deixaram um pouco perdida inicialmente, mas acabei me acostumando. O problema é que Maria Semple foi extremamente prolixa, ela pareceu se perder em devaneios várias vezes, assim como Bernadette em seus inúmeros e-mails que foram reproduzidos no decorrer do livro. A autora criou um interessante quebra-cabeças, que apesar de ter sido completamente montado deixou várias peças sobrando, parágrafos e até mesmo páginas inteiras que se descartadas não fariam nenhuma falta a história.

Quantos aos personagens, não consegui me conectar a nenhum deles. Bernadette era interessante, divertida, excêntrica e tinha sérios problemas emocionais, apesar da forma leve como a autora abordou as inúmeras situações e dificuldades provocadas por eles. Ela costumava agir como se estivesse acima de todas as outras pessoas. Para ela, todo mundo era chato, desinteressante, medíocre, bisbilhoteiro e por ai vai. Admito que em alguns momento me diverti com suas loucuras, mas ela sempre passava dos limites.

Bee começou como uma garota legal e doce, mas depois do desaparecimento da mãe se tornou bem chatinha. Algo em suas atitudes me deixou com a impressão de que ela ainda era uma criança com não mais que 10 anos, fiquei bastante surpresa quando páginas depois descobri que ela já era uma adolescente. Mãe e filha tinham uma relação muito próxima e se teve algo minimamente legal no livro, foi a forma como uma amava e cuidava da outra.

A leitura não rendeu e demorei mais do que esperava para conseguir concluí-la. Confesso que apesar de tudo o livro me prendeu, mas não por ser bom, mas porque eu tinha esperança que em algum momento ele se tornaria aquilo que eu esperava dele. Eu esperei, esperei e esperei mais um pouco, quando virei a última página e vi que não havia nada depois, fiquei indignada.

Alguns autores costumam deixar os finais de seus livros em aberto, uma forma de estimular nossa curiosidade e nos fazer imaginar as inúmeras coisas que aconteceram e não foram escritas. Até acho interessante esse tipo de artifício, mas não nesse livro, ele precisava ter uma conclusão, eu precisava que a história terminasse de um jeito legal, pelo menos isso depois da total decepção que foi essa leitura.

Cadê Você Bernadette? foi altamente frustrante. Tentei gostar dele, passei dias pensando o que eu poderia tirar de bom da história, mas continuo afirmando que para mim foi uma total perda de tempo. Entretanto, esse é um livro muito elogiado, as pessoas amaram a Bernadette e suas excentricidades, acharam fantástica a narrativa empregada pela autora, por isso se você está procurando uma história simples, com uma personagem peculiar e muitas loucuras e aventuras, esse livro pode ser uma boa escolha. Só não esqueçam de deixar as expectativas de lado antes de começar.

A Revolução dos Bichos - George Orwell

Título Original: Animal Farm
Data de Publicação: 2007
Número de Páginas: 152
Editora: Companhia das Letras
Classificação:

Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, "A Revolução dos Bichos" é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. 

A história dos bichos da Granja do Solar que resolvem fazer uma revolução, expulsar os humanos de suas terras e se tornarem livres, é uma sátira feroz, afiada e certeira sobre a ditadura stalinista, mas que se encaixa perfeitamente em muitas situações da nossa sociedade atual. George Orwell era adepto ao socialismo e ao narrar a insurreição dos animais de uma granja contra os seus donos, deixou clara a sua insatisfação com o governo opressor e totalitarista de Stalin.


Os Sete Mandamentos do Animalismo



  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
  2. O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
  3. Nenhum animal usará roupa.
  4. Nenhum animal dormirá em cama.
  5. Nenhum animal beberá álcool.
  6. Nenhum animal matará outro animal.
  7. Todos os animais são iguais.


Quando decidi ler A Revolução dos Bichos estava pronta para encontrar um livro de linguagem difícil, meio filosófico, cheio de críticas políticas e sociais (que estão presentes), mas me surpreendi ao me deparar com uma fábula divertida e de leitura fácil que discute de forma inusitada o comportamento social humano. A abordagem utilizada por Orwell é tão simples e direta que uma criança a partir dos 10 ou 11 anos se envolveria facilmente, apesar que eles provavelmente não conseguiriam enxergar o verdadeiro sentido da história e a crítica existente em cada página.

Apesar da linguagem nos remeter a uma história para crianças, é um livro que nos faz pensar profundamente, que levanta importantes questionamentos, que abre os nossos olhos para acontecimentos que ainda são comuns na sociedade atual. A insurreição dos animais contra o dono da fazenda e a posterior dominação de Napoleão - um porco - sobre os demais animais é um reflexão crítica sobre estruturas de poder, ideologia democrática e ditadura.

- Camaradas – disse -, tenho certeza de que cada animal compreende o sacrifício que o Camarada Napoleão faz, ao tomar sobre seus ombros mais esse trabalho. Não penseis, camaradas, que a liderança seja um prazer. Pelo contrário, é uma enorme e pesada responsabilidade. Ninguém mais que o Camarada Napoleão crê firmemente que todos os bichos são iguais. Feliz seria ele se pudesse deixar-vos tomar decisões por vossa própria vontade; mas, às vezes, poderíeis tomar decisões erradas, camaradas; então, onde iríamos parar?
p.49

A atitude dos porcos me causou repulsa e indignação, todo o tempo eu torcia para que os animais "acordassem" e conseguissem enxergar que eles não havia se livrado de uma ditadura, afinal Napoleão se mostrou ainda pior que Jones, o humano e antigo dono da granja. A opressão de um semelhante, de alguém que inicialmente lutava pelos mesmo ideais que eles, não tomou forma em suas mentes dominadas e eles continuaram sendo explorados e oprimidos.

A Revolução dos Bichos foi escrito há mais de 60 anos, mas é um livro atemporal. Durante toda a leitura não consegui me desvencilhar do pensamento "nós somos assim, nós agimos assim". Assim como aconteceu com os animais da granja quando o porco Napoleão se tornou um ditador, nós geralmente tendemos a confiar mais naquilo que nos é dito, sem questionamentos e muitas vezes deixando de lado nosso próprio julgamento. Temos preguiça de pensar, medo de contestar, insegurança para impor nossas opiniões e lutar por elas.

A obra de Orwell é de uma genialidade inigualável. Uma incrível e diferente aula de história sobre a União Soviética, o governo totalitarista de Stalin e a opressão decorrente de um governo que manipula, distorce e explora. Leitura obrigatória.

Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.
p.112

A Rainha do Castelo de Ar - (Trilogia Millennium #3) - Stieg Larsson

Título Original: Luftslottet som Sprängdes
Data de Publicação: 2010
Número de Páginas: 688
Editora: Companhia das Letras
Série: Trilogia Millennium #3
Classificação: 

Mikael Blomkvist está furioso. Furioso com o serviço secreto russo, que, para proteger um assassino, internou Lisbeth Salander - na época com apenas doze anos - num hospital psiquiátrico e depois deu um jeito de declará-la incapaz. Furioso com a polícia que agora quer indiciar Lisbeth por uma série de crimes que ela não cometeu. Furioso com a imprensa, que se compraz em pintar a moça como uma psicopata e lésbica satânica. Furioso com a promotoria pública, que pretende pedir que ela seja internada de novo, desta vez - ao que parece - para sempre.
Enquanto Lisbeth recupera-se, num hospital, de ferimentos que quase lhe tiraram a vida, Mikael procura conduzir uma investigação paralela que prove a inocência de sua amiga. Mas a jovem não fica parada, e muito mais do que uma chance para defender-se, ela quer uma oportunidade para dar o troco. Com a ajuda de Mikael, Lisbeth está muito perto de desmantelar um plano sórdido que durante anos articulou nos subterrâneos do Estado sueco, um complô em cujo centro está o pai dela, um perigoso espião russo que ela já tentou matar. Duas vezes.

Sou cheia de manias estranhas quando se trata de livros. Um exemplo é que eu só leio uma série ou trilogia se tiver pelo menos o livro seguinte ao que eu estou lendo. Não gosto de esperar, principalmente porque os autores sempre terminam os livros de um jeito que nos deixa desesperados por mais. Mas, dentro dessa mania existe uma outra bastante peculiar, para não dizer estranha. Demoro muito tempo para me sentir pronta pra ler o último livro de uma trilogia/série. Não quero me despedir ao mesmo tempo em que quero saber como as coisas terminam. Vou deixando para depois e quando percebo já se passou tanto tempo que eu nem lembro direito como o livro anterior tinha terminado.

A Trilogia Millenium foi uma das mais badaladas de 2010 e até hoje ela faz um sucesso enorme. A capa com aqueles detalhes em fogo e as resenhas positivas me deixaram muito empolgada e eles passaram a fazer parte da minha lista de "quero ler para ontem". Ganhei os três do meu namorado e comecei a ler tão logo eles chegaram em minhas mãos. Mas, minha estranha mania entrou em ação e eu só consegui ler o último livro da trilogia quase dois anos depois de ler o segundo.

Eu não queria me despedir de Lisbeth e sua inteligência desconcertante. Eu não estava pronta para me despedir da escrita fantástica de Stieg Larsson, com sua capacidade de criar tramas com subtramas que se entrelaçam perfeitamente para terminar de forma incrível, sempre!

A Menina que Brincava com Fogo teve um final de deixar qualquer leitor desesperado por mais. Eu fiquei desesperada por mais, mas ao pensar que o próximo livro seria a última história de Lisbeth e Blomkivist sempre deixava para depois. Quando percebi muito tempo havia se passado e eu não podia continuar adiando e mais uma vez mergulhei em um mundo de corrupções, violência, segredos que poderiam destruir uma nação, relacionamentos complicados e soluções intricadas e incrivelmente inteligentes.

Se nos livros anteriores Lisbeth ajudava a desvendar mistérios e salvar a vida das pessoas, em A Rainha do Castelo de Ar é ela quem precisa ser salva, ela é a trama principal da história. Tudo gira em torno dela. Seu passado é todo revirado e segredos obscuros vem a tona. Apesar da história ser centrada na vida de Lisbeth, ela não tem uma participação tão ativa no desenrolar da trama. Nesse livro Blomkivist ganha seu lugar ao sol. Não que ele não tenha sido importante nos livros anteriores, a questão é que Lisbeth acaba atraindo toda a atenção para ela. Ela é esquisita, é anti-social, não confia nas pessoas, mas tem uma inteligência extraordinária.

Apesar da trama ser incrível, fiquei um pouco perdida na história. Em parte a culpa foi minha por ter demorado tanto a ler o último livro, acabei esquecendo de alguns personagens e de fatos que ocorreram nos livros anteriores e que eram importantes para a compreensão da história atual. Mas ainda que eu não tivesse demorado tanto tempo para ler A Rainha do Castelo de Ar, me sentiria perdida. A história tem uma quantidade enorme de personagens que vem dos livros anteriores, sem contar os personagens novos que são acrescentados. Todos tem nomes difíceis de serem pronunciados, logo fica difícil até de lembrar que é quem.

Inúmeras vezes tive que voltar algumas páginas para rever partes da história. O autor é subjetivo durante a maior parte do livro. Coisas que poderiam ser explicadas em duas páginas tomam um capítulo inteiro com mais de 10 páginas. Dá para imaginar quantas voltas eles dá na história até chegar no ponto onde ele quer. O fato do Stieg criar tantos personagens e subtramas e dar voltas e voltas para chegar onde é realmente importante, tornou a leitura longa e cansativa.

Ainda assim A Rainha do Castelo de Ar é um livro incrível e fechou com chave de ouro a Trilogia. Lisbeth Salander vai deixar saudades.

O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas
Data de Publicação: 2007
Número de Páginas: 186
Editora: Companhia das Letras
Classificação:



Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os Judeus. Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai.

Um livro não precisa ter muitas páginas para ter uma história incrível, um exemplo disso é O Menino do Pijama Listrado de John Boyne. São apenas 186páginas e você até pode imaginar que não dá para criar um bom livro em tão pouco "espaço". Mas, e se eu te disser que além de pequeno ele foi escrito em apenas dois dias e meio (de uma vez)? Acho que esses fatores só tornam o livro ainda mais incrível e especial.

O Menino do Pijama Listrado poderia ser mais um livro narrando os horrores vividos pelos judeus durante o Holocusto, mas a diferença dessa história está exatamente no seu narrador. A ingenuidade e a pureza que só existem no coração de uma criança tornaram um dos capítulo mais tristes da história da humanidade em um relato emocionante, chocante e inesperadamente poderoso.

O livro é contado sob o ponto de vista de Bruno, um garoto de 9 anos que vê sua vida passar por algumas mudanças quando ele e sua família precisam sair de Berlim para morar em uma casa menor e em um lugar isolado próximo a um campo cercado por arames, onde pessoas andam para lá e para cá vestidas com pijamas listrados.

Quem seriam aquelas pessoas? Porque ele não podia sair de casa e explorar a floresta próxima a cerca? Porque ele não podia brincar com os garotos que vestiam pijamas e estavam do outro lado da cerca? 
Em busca dessas respostas, Bruno conhece Shmuel um garoto que mora do outro lado da cerca e a amizade pura e sincera que nasce entre os dois pode resultar em algo trágico.

“Era como se fosse completamente outra cidade, todas aquelas pessoas morando e trabalhando bem ao lado da casa em que ele vivia. E será que eram mesmo tão diferentes? Todos no campo usavam as mesmas roupas, aqueles pijamas com bonés de pano também listrados; e todos que passavam pela sua casa (...) vestiam uniformes de variadas qualidades e gruas de condecoração e quepes e capacetes com grandes braçadeiras vermelhas e negras e traziam armas e estavam sempre com o semblante terrivelmente severo, como se tudo aquilo fosse muito importante e ninguém pudesse pensar diferente. Qual era a diferença, exatamente? (...) E quem decidia quem usava os pijamas e quem usava os uniformes?” 
P.91
Através da narrativa simples e ao mesmo tempo intensa, somos completamente envolvidos pelos pensamentos de Bruno, sua ingenuidade para perceber o que acontece ao seu redor e quem são as pessoas do outro lado da cerca, às vezes chega a ser inacreditável, mas é possível perceber que os adultos com quem ele convive evitam falar sobre o lugar onde estão e quem são as pessoas de pijama, por isso Bruno divaga enquanto olha para o teto do seu quarto e não consegue chegar a nenhuma conclusão.

Depois que comecei só consegui largar quando virei a última página e a verdade é que até agora ainda estou tentando absorver toda a história, principalmente o final. Fiquei indignada, chocada, sem palavras...

O Menino do Pijama Listrado é um daqueles livros que tocam a alma, é delicado, doloroso, emocionante e de uma ingenuidade encantadora. 

E então o cômodo ficou escuro e de alguma maneira, apesar do caos que se surgiu, Bruno percebeu que ainda estava segurando a mão de Shmuel entre as suas e nada no mundo o teria convencido de soltá-la.
P.184

A Menina que Brincava com Fogo - Stieg Larsson (Trilogia Millenium #2)

Título Original: Flickan som lekte med elden - 2009

Lisbeth Salander está de volta em mais um investigação cheia de mistérios e reviravoltas. Mas dessa vez a situação é realmente complicada porque a própria Lisbeth é apontada como sendo a responsável pelo assassinato de três pessoas.

Nils Burjman seu atual tutor, Mia Bergman e Dag Svensson um casal que investigava um rede de tráfico e exploração de mulheres, foram assassinados e arma usada foi abandonada no local de um dos crimes com as digitais de Lisbeth.

Para a polícia a resposta parece óbvia, Lisbteh cometeu os crimes. Mas as digitais na arma não respondem a muitas perguntas com relação ao que aconteceu naquela noite.
Que ligação Lisbeth teria com o casal e qual a razão para matá-los?? E Burjman...? Motivos para matá-lo Lisbeth tinha de sobra, mas três assassinatos em uma mesma noite? Existia uma ponte invisível que ligava Bjurman e o casal e era essa falta de ligação entre os dois crimes que começou a intrigar a polícia responsável pela investigação do caso.

As digitais na arma são uma forte prova contra ela, mas muitas perguntas precisavam ser respondidas para que o caso fosse solucionado, perguntas essas que só Salander poderia responder, mas ela evaporou, desapareceu completamente dificultando ainda mais a resolução desse caso que se tornava cada vez mais estranho.

Mas existe algo muito maior por trás dos crimes, algo que envolve Lisbeth mas não da forma que a polícia imagina. Desvendar o passado de Lisbeth pode ser a resposta para tudo, inclusive para descobrir o principal responsável pela organização acusada nas pesquisas de Dag e Mia de exploração sexual. Mas o passado de Lisbeth é literalmente um "top secret", e só uma pessoa acredita que ela é inocente e que existem muito mais coisas por trás dessa história: Super-Blomkvist!

Lisbeth já salvou a sua vida uma vez e ele sente que está mais do que na hora de recompensá-la por isso.

Sonhava com um galão de gasolina e um fósforo. Ela o via, encharcado de gasolina. Podia sentir fisicamente a caixa de fósforos na sua mão. Chacoalhava a caixa de fósforos, que fazia um barulhinho. Ela a abria e escolhia um fósforo. Ouvia-o dizer alguma coisa, mais tapava os ouvidos e não escutava as palavras. Via a expressão no rosto dele enquanto riscava o fósforo. Escutava o roçar do enxofre no riscador. Parecia um trovão demorado. Via a ponta do fósforo se inflamar. Esboçou um sorriso totalmente desprovido de alegria e se endureceu. Aquela era a noite de seus treze anos.
P.10
~~*~~

Agora eu entendo porque esse livro figura até hoje na lista de mais vendidos do The New York Times.
O primeiro livro da trilogia foi muito bom (resenha aqui), mas nada que me deixasse realmente empolgada. Em um certo momento no final do livro quando tudo já havia sido desvendado há muito tempo, pensei que toda a minha expectativa e espera tinham sido em vão, por isso demorei tanto a começar o segundo livro... não estava nada empolgada.
Depois de uma pausa merecida resolvi arriscar e até agora me pego pensando o quanto Stieg Larsson é genial e o quanto nós perdemos com sua morte prematura.

A Menina que Brincava com Fogo é um romance policial sem precedentes. Lisbeth Salander mais uma vez rouba a cena, só que dessa vez Blomkvist que já era secundário é completamente ofuscado por todos os feitos de Salander e pela teia intricada e perfeitamente bem construída de segredos que envolvem a vida da minha mais nova heroína.

Demorei mais do que o normal para terminar a leitura não porque ela estivesse massante, apenas porque eram muitas informações para absorver, eram muitos detalhes que pareciam não fazer sentido mas que no final se encaixavam, eu queria e precisava entender o que o passado de Lisbeth tinha haver com o crime, quais eram os fios que faziam essa ligação. Mas mesmo tentando juntar as peças e chegar perto de descobrir a verdade por trás de tudo eu não consegui chegar nem perto de desvendar os segredos escondidos por trás de todos os acontecimentos.

E o final...? O final é incrível, não dá pra falar mais do que isso sem soltar um SPOILER. Um aviso importantíssimo: não leia esse segundo livro se você não tiver o terceiro, porque a única coisa que manteve as minhas mãos longe d'A Rainha do Castelo de Ar foi o fato de ser o último livro da trilogia e que depois dele não terei mais Salander, nem Blomkvist, nem o maravilhoso dom de Larsson de juntar as palavras e escrever algo tão fascinante quanto a Trilogia Millenium.

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres - Stieg Larsson (Trilogia Millenium, v.1)


Título Original: Män som hatar kvinnor - 2005

Uma garota. Um mistério. Um assassinato?
Não existe corpo, não existem provas ou pistas.
Harriet Vanger sumiu sem deixar vestígios, em um dia onde a ilha de Hedeby, uma propriedade quase exclusiva da poderosa família Vanger, estava em completa confusão depois de um acidente na ponte, único acesso à ilha onde ela e quase todos os membros da família Vanger se encontravam.

Desde então todos os anos Henrik Vanger- patriarca da família - recebe um flor emoldurada, mesmo presente que Harriet lhe dava antes de desaparecer. Um grande mistério, nenhuma resposta.
Por anos Henrik investigou o desaparecimento de Harriet, para ser mais exata, por 36 anos ele procurou por pistas que respondessem as perguntas sobre o desaparecimento dela. Toda a ilha foi vasculhada... cada perímetro. Como Harriet poderia ter saído da ilha se a única ponte de acesso estava interditada?
Muitas perguntas e mais uma vez nenhuma resposta.

Decidido a tentar uma última vez encontrar respostas para o desaparecimento de Harriet, Henrik contrata o jornalista Mikael Blomkvist, redator e um dos sócios da Revista Millenium. Mikael decide aceitar a oferta depois de publicar uma reportagem com afirmações falsas sobre um financista sueco e por isso ser condenado a três meses de prisão. Além do dinheiro, um atrativo bastante convincente, Henrik promete dar a Mikael provas verdadeiras para incriminar o financista, salvando assim a reputação da revista e a sua também.

Surge então Lisbeth Salander (para mim foi a peça principal do livro), uma garota com muitos problemas pessoais, de aparência estranha, perspicácia aguçada, um lado sentimental praticamente inexistente... uma hacker profissional capaz de desvendar qualquer segredo.

Juntos Mikael e Lisbeth começam a desvendar uma teia de intrigas familiares, sexo, sadismo, violência, incesto, loucura... As respostas para o desaparecimento de Harriet estão cada vez mais próximas, mas ao mesmo tempo não parecem fazer sentido algum.
Mas alguém muito próximo a eles não quer que a verdade seja descoberta, porque segredos muito mais profundos e perigosos podem vir a tona.

~~*~~

Muitas promessas, muito glamour e por pouco eu não desisto de vez de ler os outros dois livros.
Durante todo esse ano, crie e alimentei uma idéia fixa: "preciso ler essa trilogia". Durante todo o ano vasculhei por promoções, sorteios e tudo que pudesse me levar até a desejada leitura desses livros.
Enfim, mais uma vez meu amado, querido e maravilhoso namorado se rendeu a minha enxeção de saco e eu ganhei a trilogia dele. Mas o primeiro livro não correspondeu a todas es expectativas que eu criei.

Preciso admitir que a história é muito envolvente e que as pistas usadas por Larsson para que o mistério fosse desvendado foram bastante interessantes. O problema é que do início ao meio o livro é morno, muita descrição, nomes complicados de lembrar, pouca ação. Mas como boa teimosa que sou me obriguei a continuar a leitura e não me arrependi. Depois que Lisbeth e Mikael se unem pra desvendar o caso, as coisas começam a ficar mais interessantes. Seria mesmo desanimador que um livro de 528 pg. fosse chato do início ao fim.

É instigante, tem um suspense incrível, mas indico com algumas restrições e uma delas é que vocês não devem ir com muita "sede ao livro" e nem imaginem algo perfeito e maravilhosamente diferente só por se tratar de um best seller.

Pelo que eu li por ai - tirando os comentários "super positivos" onde o livro não tem defeito algum - muitas outras pessoas tiveram a mesma impressão que eu nesse primeiro livro e essas mesmas pessoas afirmaram que os outros dois são muuuuuuuuuuito melhores mesmo.
Espero ter essa certeza quando terminar de lê-los.
 
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